Os 50 anos de carreira do mestre Paulinho da Viola, que está sendo comemorado em uma turnê nas principais capitais brasileiras, passaram de forma tão gostosa quanto a resposta dele sobre o que representa o samba em sua vida.
“Tenho uma resposta roubada do Pixinguinha, que dizia que o choro é uma coisa sacudida e gostosa. Eu diria o mesmo sobre o samba”, disse de forma simpática o cantor. O show exclusivo do sambista carioca será hoje, no Grêmio Literário Português, todo especial com canções de quem ele considera os mais importantes compositores da música brasileira: Cartola, Nelson Cavaquinho, Noel Rosa, Wilson Batista e Geraldo Pereira.
Se fosse possível atribuir uma causa ao samba de Paulinho da Viola, ela seria, com certeza, o Rio de Janeiro, desde a sua infância, em Botafogo e Jacarepaguá, passando pela vivência nos tradicionais carnavais de rua. O cantor não seria o mesmo se não tivesse essa vivência carioca e seu encontro com o estilo, através de uma família onde a música era tão parte do cotidiano quanto ele adoraria que fosse. Ele, desde cedo, carregava o violão de seu pai, Cesar Faria, e experimentou a alegria de estar cercado de música por toda parte. “Tive a oportunidade e o privilégio de desde criança estar em contato com esta arte. Conheci este universo fantástico do choro e do samba, vivi os blocos de carnaval nas ruas e cheguei até as escolas de samba”, rememora Paulinho.
Ele viveu e se desenvolveu no berço do samba e viu o ritmo se espalhar como vírus pelos estados do Brasil e pelo mundo. “Estive no Japão em 1986 e havia uma escola de samba por lá, que fazia desfiles, inclusive. Os cantores e compositores fizeram uma revolução artística e encantaram o mundo”, explica o músico, que relembra que a febre incurável do samba se espalhou em um tempo relativamente pequeno, já que não faz um século que as formas de disseminação da música popular brasileira, como as rádios, ajudaram a levar o estilo a todos os lugares. “Fizemos muito em pouco tempo e é muito bom ver o reconhecimento de pessoas de todas as idades cantando e curtindo. Fico feliz de ver os jovens em meus shows, me acompanhando e reconhecendo o meu trabalho”, diz o memorável compositor.
NOVO TRABALHO
Além da turnê para comemorar os 50 anos de contribuição para a música brasileira, Paulinho pensa em gravar um novo trabalho, com novas composições que, segundo ele, são inúmeras e estão à espera do momento certo para surgirem, o que seria um presente digno de meio século de carreira. “Estamos discutindo um trabalho maior e pensando em voltar a gravar. Hoje, existe uma relação diferente entre o artista, a música e seu público e a forma de distribuição deste produto. Estamos pensando em tudo isso, já que o último trabalho com músicas inéditas foi um DVD lançado em 2008”, fala o artista.
Sem a viola, Paulinho não se vê e, sem ele, nós não vemos o samba como conhecemos. “Olho as fotos antigas, de quando eu era adolescente, sempre com a viola na mão. Minha pretensão de vida era ser um músico tão bom quanto meu pai foi”, explica humildemente. Ele relembra o momento em que sua carreira superou os planos que ele havia traçado. “Em 1979, a música ‘Foi um Rio que Passou em Minha Vida’ fez um sucesso enorme, tocou nos carnavais e até hoje se canta”, finaliza o cantor.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar