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Dramas reais na TV travam debates importantes

Amores roubados. Paixões não correspondidas. Disputas amorosas. Traições. Nem só de casos de amor vive uma trama. Por trás dos enlaces do coração, as discussões sociais com foco em saúde e comportamento ganham força. Cada vez mais coladas no mundo rea

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Amores roubados. Paixões não correspondidas. Disputas amorosas. Traições. Nem só de casos de amor vive uma trama. Por trás dos enlaces do coração, as discussões sociais com foco em saúde e comportamento ganham força. Cada vez mais coladas no mundo real, as telenovelas têm repercutido doenças diversas por meio dos personagens.

O assunto é destaque em três figuras de ‘Em família’, dirigida por Manoel Carlos. A personagem Selma (Ana Beatriz Nogueira), mãe de Laerte, enfrenta a senilidade precoce. Os sintomas da doença têm sido frequentes nos capítulos e o déficit de atenção é um deles

Conhecido por sempre levantar bandeiras de problemas comuns à sociedade em suas novelas, o autor também dá ênfase ao Mal de Parkinson. O ator Paulo José, 76 anos, faz o papel de Benjamim, pai de Virgílio e é de fato portador da doença há mais de 20 anos. Nesse caso, realidade e ficção se entrelaçam.

Já o personagem Cadu, vivido por Reynaldo Gianecchini, sofre de uma grave doença coronária, a miocardiopatia dilatada, que atinge o músculo do coração, o miocárdio. Depois de alguns sustos na esposa Clara, personagem de Giovanna Antonelli, o chef, que apresentava sintomas como cansaço, chegou ao diagnóstico e precisou se submeter a um transplante de coração.

Trazer à tona esses debates importantes pode causar resultados positivos no público e até mudar o comportamento dos telespectadores com relação às doenças. Mas através de uma cena pode brotar a desesperança ou falsa expectativa. “No geral, acho que as abordagens são superficiais e genéricas, muito focadas no aspecto dramático, usando a doença como linha de encaixe de tramas e personagens. A doença surge em função da narrativa e não o contrário – o que não necessariamente é um crime, já que é um produto de entretenimento”, pontua Guto Lobato, jornalista, mestre em Comunicação na Contemporaneidade pela Faculdade Cásper Líbero e doutorando em Ciências da Comunicação pela USP.

“No caso da jovem autista interpretada pela Bruna Linzmeyer em ‘Amor à vida’, as críticas foram severas. Apesar dos elogios à atriz, construíram um perfil da personagem que mesclava diferentes características de distúrbios psiquiátricos – e criaram um romance entre ela e um rapaz que causou bastante polêmica. Em outras novelas, como ‘Laços de Família’ e ‘Mulheres Apaixonadas’, câncer e alcoolismo foram respectivamente muito bem representados. Em suma, há casos e casos”, completa Guto.

Segundo ele, desde os anos 1970 as telenovelas já mostravam as doenças e deficiências humanas, às vezes, de um jeito bem dramático. Dos anos 1990 em diante, o merchandising social pegou de vez e praticamente todas as telenovelas têm abordado esses assuntos.

Abordar e debater as doenças dentro dos limites da responsabilidade pode sim tornar as novelas uma grande ferramenta de transformação social. Mas é preciso bom senso dos dois lados: de quem está à frente e atrás das câmeras. “Muitas das polêmicas surgidas na ficção vêm de uma cobrança excessiva que lançamos sobre os autores, produtores e diretores. Como jornalistas ou escritores, eles são generalistas – não são cientistas, especialistas em assuntos de saúde pública. Escrevem sobre a vida, o que traz ao papel e às telas inúmeros assuntos, histórias, polêmicas que necessariamente serão menos complexos do que a realidade”, acredita Guto.

Personagens polêmicos que já foram destaque nas telenovelas:


1999: A atriz Samara Felippo, na pele de Érica, em “Malhação”, viveu uma estudante que contraiu Aids em uma relação heterossexual.

2000: A cena de Carolina Dieckmann em “Laços de família” raspando o cabelo sob os efeitos da quimioterapia que enfrentava para o tratamento da leucemia marcou a história da telenovela brasileira.

2001: Quem não se lembra de Mel (Débora Falabella) em “O Clone”? A personagem sofria de dependência química pelo uso de drogas.

2004: Em “Senhora do Destino”, a atriz Glória Menezes interpretou Laura e o drama do Alzheimer, doença que compromete a memória.

2006: A adolescente Gisele, vivida por Pérola Faria, retratou em “Páginas da Vida” o drama da bulimia.

2009: Bárbara Paz viveu Renatinha, em “Viver a Vida”, modelo que não comia para emagrecer, mas exagerava na bebida, transtorno chamado pelos especialistas de drunkorexia.

2009: “Caminho das Índias” apresentava dois personagens com esquizofrenia: Ademir, representado por Sidney Santiago, e Tarso, interpretado por Bruno Gagliasso.

2010: No remake de “Ti-ti-ti”, Stéfany (Sophie Charlotte) enfrentava o drama da depressão pós-parto.

(Diário do Pará)

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