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Escritores paraenses falam de desprestígio

A Feira Pan-Amazônica do Livro completa a maioridade e ainda suscita críticas que se repetem desde a primeira edição. O evento, que chega ao seu 18° ano, acontece de 30 de maio a 8 de junho, no Hangar Centro de Convenções, com tema “Qatar – Uma Janela

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A Feira Pan-Amazônica do Livro completa a maioridade e ainda suscita críticas que se repetem desde a primeira edição. O evento, que chega ao seu 18° ano, acontece de 30 de maio a 8 de junho, no Hangar Centro de Convenções, com tema “Qatar – Uma Janela Para o Mundo Árabe” e já levanta polêmicas sobre o tratamento que dá aos autores paraenses antes mesmo da abertura.

O escritor belenense Carlos Correia Santos, premiado dentro e fora do Estado, era figurinha carimbada na Feira, mas este ano está fora da programação. “Todos sabem os cachês milionários que são pagos às estrelas que vêm de fora. É óbvio que nem pensei em pedir tamanhos milhões. Mas eu precisava propor uma remuneração digna em face do currículo que tenho. Foi uma odisseia. Exigiram-me um milhão de comprovações da minha trajetória artística, tive que ouvir que não sou um artista que merecesse tal remuneração. Enfim... uma situação constrangedora e humilhante. Resolvi me retirar da função de prestador de serviços para a Feira do Livro”, destaca Carlos.

Segundo ele, os escritores paraenses são apenas coadjuvantes no evento da própria terra. Resultado de um processo de educação que ele diz ter os valores invertidos. “O povo é educado a supervalorizar o que vem de fora e o evento aposta todas as suas fichas nisso. Os horários mais nobres da Feira são para os de fora, os maiores espaços na mídia são para os de fora, o que interessa para a Feira são os números. Eles querem um grande fluxo de pessoas e por isso chamam essas atrações que atraem multidões por serem beneficiadas pelo poder midiático. Se o povo fosse educado a prestigiar a prata da terra – e esse é o papel do poder estatal – os resultados seriam outros”, garante o escritor.

O professor de literatura Helder Bentes acredita que a desvalorização começa na categorização das publicações. “Como especialista de literatura, eu a compreendo em seu sentido universal. A literatura não tem que ter adjetivo pátrio. O ‘literatura paraense’ acaba gerando preconceito. Numa tentativa de valorizar, você acaba desvalorizando. Você não vê estande de autores de outros Estados. É importante destacar a naturalidade do autor, mas não adjetivar a literatura dele. Eu posso ser um autor paraense, mas falar de assuntos que não se restringem à região”, pontua.

Helder ainda enfatiza que o nome ‘feira’ faz jus ao que se vê de fato. “Nos últimos dias do evento os estandes entram em liquidação, os vendedores batem palma anunciando promoções. A Feira não precisa ser essa muvuca toda. Muitas pessoas reclamam de não ter um espaço para ler o livro, folhear, apreciar. É preciso um ambiente com acústica e condições físicas para que as pessoas não escolham o livro apenas pela capa em meio ao barulho da multidão”, defende Helder.

O dramaturgo, jornalista, cronista e romancista, Edyr Augusto Proença, colunista do DIÁRIO DO PARÁ, compartilha do mesmo pensamento dos conterrâneos escritores. “A ‘Pantética Feira do Livro’ é um absurdo que já dura quase 20 anos. Reúne livrarias e editoras em estandes feito camelôs que desovam a preço alto estoques encalhados. Traz famosos escritores que ganham cachê, falam para grandes plateias que não compram seus livros, comem bem, passeiam e saem falando maravilhas. Quanto aos escritores locais, para quem a ‘pantética’ deveria ser feita, são tratados a patadas e humilhados em estandes mal iluminados e mal situados. Para quê ou para quem é feito esse evento feito de maneira incompetente? Que bom que isso vai acabar”, comenta Edyr.

(Diário do Pará)

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