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Feiras devem atuar como incentivo para escritores

Mesmo com o mercado se preparando para o digital e as críticas que permeiam os eventos direcionados para os livros, as feiras ainda são boas vitrines segundo pesquisa desenvolvida pelo Coppead, instituto de pós-graduação em Administração da Universida

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Mesmo com o mercado se preparando para o digital e as críticas que permeiam os eventos direcionados para os livros, as feiras ainda são boas vitrines segundo pesquisa desenvolvida pelo Coppead, instituto de pós-graduação em Administração da Universidade Federal do Rio. A proliferação de eventos literários nos anos 2000 ampliou os espaços de exposição do livro. As feiras continuam sendo bem-vindas e cumprem o papel de alavancar a divulgação das publicações. Na Feira Pan-Amazônica não é diferente, apesar dos debates sobre a desvalorização dos escritores locais.

“A Feira do livro é um evento nacionalmente esperado pelo mercado editorial, livreiro e escritores locais. Em sua 18ª edição, está consolidando o seu papel cultural no Estado e no país. Sempre mobiliza um universo muito grande de público – com a visitação de mais de 400 mil pessoas em dez dias de evento – e também é vitrine para os escritores locais. A partir dela, muitos ganham visibilidade, firmam parcerias e são convidados para outras feiras. A ideia é abrir mercado para a produção literária local e provocar no público um gosto maior pela leitura”, explica a diretora de cultura da Secult, Ana Catarina Peixoto Brito.

Com o livro “A Revolução Constitucionalista no Baixo Amazonas”, resultado de uma dissertação de mestrado e lançado no final do ano passado, o jornalista Walter Pinto de Oliveira estreia como autor deste ano. “Um dos maiores ganhos dos paraenses com a Feira é o fato dela ser uma vitrine, um meio de valorização da cultura do Pará e da cultura como um todo. Temos poucas livrarias em Belém e algumas inviabilizam a venda de autores paraenses por pedirem valores muito altos”, acredita.

Walter irá relançar o livro no evento e tem boas expectativas. “Já está tendo uma repercussão positiva e a Feira vai possibilitar o acesso a mais pessoas, alavancar as vendas, fazer a publicação circular. Espero que o público goste e se interesse pelo tema que é pouco conhecido”, diz. O jornalista ainda participará do Encontro Literário através do bate-papo “Jornalismo e literatura: entre o real e o ficcional” com Ronald Junqueiro e Ruth Rendeiro.

Há quatro anos o paraense Franciorlys Viana investe no gênero literário. Este ano ele, participa da Feira do Livro pela primeira vez como escritor. No Encontro Literário, ele irá falar sobre o “Fantasilhoso”, livro de contos premiado pelo IAP no início deste ano e que deverá ser lançado em junho. “Vou ter a possibilidade de levar para leitores que não são críticos o que tenho escrito e tem sido reconhecido pela crítica literária. Tenho interesse em ver como vai ser a reação do leitor não técnico. Hoje o grande desafio do mercado é tentar aproximar o leitor dessa literatura feita no Pará. A Feira cria a oportunidade ao escritor paraense de ter essa proximidade com o leitor. Dessa forma, ele passa a ter contato com a literatura produzida aqui e que muitas vezes ele nem sabe da qualidade que tem”, revela.

Franciorlys faz parte da nova safra de talentos da literatura paraense. Este ano ele ganhou menção honrosa no Concurso Literário Samuel Wallace Mac-Dowell, do Governo do Estado do Pará e julgado pela Academia Paraense de Letras, pelo livro de contos “Como Gira a Engrenagem do Mundo”. Em 2012, ganhou o Prêmio Dalcídio Jurandir com a publicação “Ojos”, que será lançada até o final deste ano.

A diretora de cultura da Secult diz que, para que o público conheça novos talentos da literatura, é preciso fazer escolhas. “Felizmente temos muitos autores paraenses. Estamos sempre renovando para que todos possam ter o seu espaço”, afirma. Miriam Hanna Daher, Rodrigo Maroja Barata, Guaracy Brito, Alfredo Garcia, Vicente Cecim, Luiz Pinto e as indígenas Márcia Wayna Kambeba e Murué Surui são alguns dos escritores paraenses que também estarão presentes nesta edição do evento.

(Diário do Pará)

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