Janduari Simões é o artista convidado da quinta edição do Prêmio Diário Contemporânero de Fotografia, e a exposição reúne 50 obras. Em parte delas, um recorte pontual da sensibilidade de Janduari sobre o espaço urbano e as mutações que ocorrem na arquitetura, com um olhar atento para a estrutura formal das moradias, e as semelhanças que anulam o limite entre centro e periferia; do outro lado, um trabalho muito significativo e tocante: o registro da destruição da quadra que abrigava a Fábrica Palmeira, no final dos anos 1970.
O público terá a oportunidade de participar hoje de um bate-papo com Janduari Simões no Museu da UFPA, lugar que abriga a exposição individual “Cidade Invisível”, que apresenta série inédita de restos da Fábrica Palmeira, e a grafia de fachadas populares e apartamentos no centro da cidade. O evento ocorre às 19h e tem entrada franca. A mediação será de Marisa Mokarzel.
“O encontro será um relato de experiência, falando sobre o começo de trajetória em Belém, ilustrado com fotos e páginas de publicações nas quais foi veiculado meu trabalho jornalístico, sem muita teoria acadêmica”, diz o fotógrafo, sobre o bate-papo de hoje.
Janduari nasceu em 1949, em Itabuna, no interior da Bahia, e chegou a Belém em 1975, querendo viver a vida. Naquela época tinha uma câmera Pentax SP a tiracolo, era fotógrafo autodidata e aprendia muito do que sabe hoje devorando livros e revistas de fotografia. Entre as muitas indas e vindas de sua trajetória, se fixou na cidade, trabalhou para o Museu Paraense Emílio Goeldi e viajou muito pela Amazônia, pelas capitais e pelos interiores.
Seu trabalho autoral se desenvolve na área de pesquisa da cultura popular brasileira, as músicas, danças e atividades presentes nos múltiplos desdobramentos de nossa cultura. Ele constituiu um grande acervo de imagens sobre cultura e o homem da Amazônia, de onde se destacam as produzidas no Estado do Pará, que chamaram a atenção de Mariano Klautau Filho, curador do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, e resultou em um convite para ter uma mostra individual nesta edição.
Entre os trabalhos na mostra, destaque para as imagens da Fábrica Palmeira, cuja destruição marca também o nascimento de uma das maiores cicatrizes urbanas que Belém já produziu e que hoje é conhecida popularmente como “Buraco da Palmeira”. Segundo Mariano, “as pessoas preferem ver os desenhos, rótulos, marcas dos antigos catálogos da Palmeira como se fossem bibelôs românticos e com isso poderem suspirar exercitando seu gozo nostálgico, mas não querem enxergar que houve um massacre de uma quadra inteira e que isso está relacionado hoje com o poder das construtoras e incorporadoras que continuam destruindo a cidade diante de gestões e institutos de patrimônio subservientes”. “As fotografias de Janduari vão muito além disso, e recolocam nesse contexto a invisibilidade de uma cidade, uma cidade que a gente não quer ver ou não consegue mais ver”, analisa.
Criado em 2010, o Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é um projeto nacional que incentiva a cultura, a arte e a linguagem fotográfica em toda a sua diversidade. Ficará aberto à visitação até o dia 22 de junho na Museu da UFPA e na Casa das 11 Janelas, reunindo obras de Janduari Simões e outros fotógrafos selecionados para a edição deste ano.
(Diário do Pará)
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