O Clube de Colecionadores de Fotografia do Museu de Arte Moderna de São Paulo recebeu 118 câmeras obscuras feitas artesanalmente a partir das cuias. O autor dessas câmeras é Miguel Chikaoka e algumas delas também estão expostas na Kamara Kó Galeria, para quem quiser vê-las de perto.
O curador do clube, Éder Chiodetto, explica que a obra de Chikaoka foi escolhida para ficar à disposição do acervo do museu por ser tão representativa da cultura paraense, já que um elemento típico de nossa região foi utilizado para construí-la, também e pela trajetória de Miguel, que é tão ligado à alfabetização visual. “O trabalho de Miguel sempre esteve associado ao ensinar o olhar da fotografia e, em uma era em que se difunde tanto a câmera digital, acho importante que tenhamos câmeras obscuras para mostrar outras possibilidades”, explica Chiodetto.
As câmeras vêm sendo construídas desde 2003 pelo artista como parte da experimentação e reflexão sobre os processos fotográficos. “É um processo de perceber a imagem como nos olhos, perceber a captura e fixação da imagem”, explica Chikaoka, que se utiliza da vivência com as câmeras obscuras desde a década de 1980. “A matriz da imagem é a luz. Nas câmeras é possível ver como a imagem é percebida pelos nossos olhos. Em minhas oficinas, sempre incentivo que as pessoas façam suas próprias câmeras, até para entenderem mais sobre a captação da luz e formação da imagem”, diz.
As câmeras de cuia feitas por Miguel já estiveram em exposição em Belém na Casa das 11 Janelas, em um espaço de experimentação. Agora, elas também estão na Galeria Kamara Kó até o próximo dia 28 de junho para quem quiser apreciá-las e entender um pouco mais como funciona essa forma tão artesanal e poeticamente rústica de fazer fotografia.
NA FOTOATIVA
Miguel Chikaoka tem seu nome marcado junto à trajetória da Fotoativa, referência na formação de fotógrafos em Belém. E para quem quiser mergulhar neste universo, a associação está com duas oficinas com inscrições abertas ainda para este semestre: “Photograff”, com Jeyson Martins, e “Fotografia de Viagem”, com Rafael Araújo.
“Photograff” promove uma interação da fotografia com o grafite em intervenções urbanas. O interesse de Jeyson Martins pelo mundo das artes urbanas o levou a iniciar, em 2003, um acervo documental e teórico sobre grafites e pichações, que ganharam em suas mãos uma linguagem híbrida com a fotografia artesanal. Ele explica que a proposta do curso é abordar o processo de formação e revelação da imagem a partir da construção de uma câmera artesanal pinhole com latas de spray, promovendo uma fotografia sem amarras estéticas nem acadêmicas, bem ao sabor da liberdade proposta pela cultura de rua.
Já no curso “Fotografia de Viagem”, Rafael Araújo abre uma oportunidade de reconhecer a viagem como um processo exploratório permeado pelo fazer fotográfico. Os encontros serão intensos e diários, de 11 a 26 de junho, com diversas saídas e viagens com o único intuito de explorar outros ambientes pelo olhar fotográfico.

(Diário do Pará)
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