A contação de histórias em Belém ganhou uma nova linguagem e agregou recursos audiovisuais e técnicas teatrais para deixar ainda mais encantadora a arte de levar literatura bem contada a crianças e adolescentes em escolas, hospitais, creches e outros locais da cidade. O projeto “Histórias em Contadas” já passou por sete escolas públicas da capital contando “Quando o Bosque me Emboscou”, divertida história de um humano que vive aventuras no Jardim Botânico Bosque Rodrigues Alves em Belém.
O autor do texto e diretor do projeto, João Lenine, acredita que a contação incentiva a leitura e instiga que as crianças a vejam como algo prazeroso e divertido. “Queremos ligar a leitura ao entretenimento, à animação, ao lúdico”, diz João Lenine.
Quem vai até as escolas e as conta para as crianças é Rick Niranda. Ator formado pela Universidade Federal do Pará, ele acredita que a narração está integrada com o teatro. “O contador é um ator. Eu, por exemplo, faço sete vozes durante a história”, explica o ator. Rick, que já tinha trabalhado com o teatro infantil, viu no projeto uma oportunidade de experimentar essa troca com as crianças. “O desafio é envolve-las, interagir da melhor maneira com elas”, disse o contador.
A produção de cada espetáculo é de Silvia Teixeira, entusiasta do projeto e que mostra nos olhos a paixão que tem de acompanhar cada ida às escolas. “Os professores ficam felizes com a mudança das crianças com relação a leitura. Além disso, estamos trabalhando com um público diferente que é o infanto-juvenil, que deveria ser mais difícil de cativar, mas não é o que nós vemos, eles se interessam muito por cada capítulo da história”, explica.
Os recursos audiovisuais que mostram as ilustrações do livro e agregam sons e efeitos ainda mais atrativos a história fez com que os alunos da Escola Anesia, no bairro do Marco, ficassem ansiosos para o início da contação. Maria Eduarda, 11 anos, achou muito legal que o enredo falasse de algo que faz parte do cotidiano dela, o Bosque Rodrigues Alves, lugar que ela diz ter ido com os amigos. “Ouvir a história assim é mais legal e, cada vez que ele conta, dá mais vontade de ler”, disse a estudante que acredita que a grande lição de “Quando o Bosque me Emboscou” é o respeito a natureza. A aluna Luana Pereira se divertiu e gostaria que pudesse ouvir outras histórias como essa. “Gostei muito da parte em que o humano salva o macaquinho Samuel”, elogiou a estudante.
Ao final da contação, os alunos participam de um quis e concorrem a brindes. Ganha quem sabe contar melhor a história e extraiu mais informações a narrativa, um estímulo ainda maior a sentar e ouvir tudo com atenção.
Os recursos audiovisuais do projeto prenderam a atenção de Flávio Wellington, 12 anos. Portador de necessidades especiais auditivas, ele acompanhava atento as imagens que eram mostradas na televisão e teve a ajuda de uma pedagoga da escola que, em libras, contava tudo a ele. “A história é legal. Fala sobre o Bosque Rodrigues Alves, lugar que já fui com os meus amigos e fica perto da minha casa”, disse. Assim como Flávio, Maria Eduarda e Luana, quem não gosta de ouvir uma boa história?
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar