Uma cela e cinco presos. Um palco e cinco atores. Esse é o ponto de partida do espetáculo “Barrela”, que estreia amanhã, na Casa da Atriz, às 19h. A montagem apresentada pelo Grupo de Teatro Os Varisteiros, em parceria com o Dirigível Coletivo de Teatro, é baseada na obra do dramaturgo paulista Plínio Marcos e encenada pela primeira vez aqui.
A peça narra as relações conflituosas de presos, que, tomados pela demência, estão o tempo todo buscando maneiras de se assegurar perante os outros, com brigas, olhares e imposições. “Barrela” foi escrita em 1958 e chegou a ser censurada, sendo liberada apenas 20 anos depois. O texto enfatiza a relação de opressão dentro dos presídios e, mais de 50 anos após ter sido escrita, ainda é um espelho da sociedade atual.
“A ideia é que o público veja a obra e reflita sobre a realidade carcerária do Brasil e sobre a essência do ser humano, onde ele é capaz de chegar nas situações mais adversas”, pontua o ator Raoni Moreira., que divide o palco com Bruno Rangel, Gabriel Antunes, Leonardo Moraes, Marcelo Andrade e Marcus Silva.
O espetáculo explora recursos cênicos como o corpo e o silêncio, estabelecendo conexão entre a disposição espacial e seus símbolos em confronto com quem assiste. “Nossa proposta cênica é bem intimista, queremos que o público esteja perto para sentir a força dessa obra. O diretor valoriza muito o silêncio dentro dos momentos de conflito e tensão, entre as entradas e saídas dos personagens. O trabalho de corpo também é intenso”, detalha Raoni. “O silêncio tem uma carga de tensão maior do que a própria fala”, completa o diretor Maycon Douglas. O processo de leitura do texto e montagem durou 8 meses.
“Barrela” provoca um discurso a partir das imagens simbólicas de oprimido e opressor, mostrando um sistema frágil em todas as suas instâncias. “É a primeira obra de Plínio e fala do opressor e do oprimido dentro da cela, mostra que a desorganização da prisão é resultado de uma desorganização maior que ocorre fora dela”, destaca o diretor, que sempre quis montar um texto do escritor paulista que ficou conhecido por retratar o submundo de São Paulo e transformava em textos temas como homossexualismo, marginalidade, prostituição e violência com muita autenticidade. “O Plínio Marcos foi um dos primeiros a trabalhar os marginalizados. Não cria juízo de valor e apenas mostra a realidade. Ele me surpreende pelo texto direto e muito forte”, avalia.
Quando: Dias 7 e 8, 14 e 15 deste mês Hora: 19h e 20h
Onde: A Casa da Atriz (Rua Oliveira Belo, 95 , entre Av. Generalíssimo Deodoro e Trav. Dom Romualdo de Seixas)
Ingresso: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)
Censura: 18 anos
(Diário do Pará)
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