Você sabe quantos grupos trabalham com artes cênicas em Belém? E mais especificamente quantos atuam com artes cênicas para a infância e juventude? Provavelmente não, e nem mesmo os grupos envolvidos com isso têm uma noção de “classe”, de quantos estão envolvidos no mesmo meio, com os mesmos anseios, enfrentando as mesmas dificuldades, e isso não é uma exclusividade daqui. Com o objetivo de mapear o setor em todo o Brasil, Ricardo Schöpke, diretor da Cia Boto Vermelho e da Rede Nacional de Teatro para Infância Juventude - Renatin está circulando em todas as capitais em busca dessa informação, que servirá de base para a construção de políticas culturais. E, claro, dar um real panorama deste segmento no país.
Ricardo passou três dias em Belém buscando coletar este material. Em um encontro presencial, colheu informações e iniciou um diálogo com três grupos - Dirigível Coletivo de Teatro, Grupo de Teatro da Igreja de São Miguel Arcanjo e Ecoart. Estreitou laços também com os Notáveis Clowns, mas continua em busca de muito mais.
“O mapeamento continua até o dia 30 em formato digital. Basta o grupo nos procurar e preencher o arquivo”, explica. Ricardo é visivelmente um apaixonado pelo projeto, um visionário que compreende a necessidade de se entender quantos grupos com trabalhos semelhantes estão espalhados pelo país e como eles funcionam. No formulário, há perguntas sobre quem tem sede própria, quantos são grupos profissionais e quantos são amadores, quantos componentes trabalham em outras produções ou precisam recorrer a outros trabalhos para sobreviver, quantos espetáculos conseguem patrocínio e público pagante, quantos tiveram dificuldade de captar apoios via leis de incentivo, e por aí vai. Ao final, ele terá em mãos um raio-x completo que apontará a realidade - e as dificuldades - de cada Estado.
Antes mesmo de ser concluído, o mapeamento já rendeu bons frutos ao modificar a política de patrocínio do Programa Petrobras Distribuidora de Cultura, aumentando em 50% o valor previsto para o biênio 2013-2014, elevado a verba geral de patrocínios de R$ 3 milhões para R$ 4 milhões. A Funarte também já confirmou que usará o mapeamento como norteador das suas novas políticas culturais e do Ministério da Cultura voltadas para as artes cênicas que falam ao público infanto juvenil.
“Após o mapeamento iremos apresentar um projeto de edital específico para o nosso setor ao MinC e a todas as secretarias municipais e estaduais de cultura do Brasil, para servir de modelo para a construção de políticas públicas”, diz Ricardo, anunciando que um catálogo, um site e um seminário nacional também serão resultado do trabalho.
(Diário do Pará)
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