Amar faz bem pra saúde e tem envolvido cada vez mais pessoas. É o que também reforça o livro “Vínculos – Sexo e Amor na Evolução do Casamento”, de Márcia Esteves Agostinho, engenharia de produção que expandiu seus horizontes e agregou antropologia e sociologia ao que escreve.
Pesquisadora, ela misturou dados reais, do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística, a estudos antropológicos e sociológicos, para mostrar o aumento do número de casamentos e o interesse cada vez maior dos homens em casar.
Em suas viagens para o lançamento do livro, Márcia tem percebido uma participação maior do público masculino. “Fala-se muito da questão da monogamia. As pessoas, sejam homens e mulheres, adultos e até os adolescentes, têm valorizado a fidelidade. Para mim foi uma surpresa, pois imaginava que, depois da década de 1960 e 1970, essa questão tivesse se tornado careta”, explica Márcia.
O dado inicial da pesquisa era a queda abrupta na taxa de fecundidade, ou seja, o fato dos brasileiros estarem tendo menos filhos. Por meio do assunto, que não era novidade, ela percebeu que os casais estão fazendo essa escolha. “Isso é uma questão importante porque as pessoas separaram as duas coisas, casamento e filhos, e isso não necessariamente se tornou uma obrigação mas um projeto de vida”, relata a autora.
Levando em consideração apenas os filhos naturais e não adotados - o que não incluía os homossexuais - Márcia, ao longo do trabalho, percebeu que houve uma ressignificação do conceito de família e da afetividade entre membros de uniões diferentes. “Vimos muito filhos de casamentos diferentes se tratando como irmãos, com carinho, e criando vínculos que não necessariamente são sangüíneos, mas de afeto. Hoje, a família é quem você escolhe amar. Esse movimento se percebe em todas as relações homem e mulher, casais homossexuais, pais e filhos, irmãos e irmãs. O ponto central da tese que eu defendo é que os vínculos, sejam quais forem, são fortalecidos no convívio e respeito mútuo”, diz Márcia.
Esse fortalecimento acontece porque as pessoas tem gostado de conviver e cuidar uma das outras, é o que acredita a escritora. “Os casamentos aumentaram em 30% nos últimos dez anos, é um aumento expressivo. Enquanto que os divórcios no mesmo período chegaram a cair 2%. Não temos como comprovar mas, parece que os casais estão casando mais tarde, e com mais certeza do que querem e desejam. Muita gente que se separou na década de 1960 e 1980, mas voltou a casar novamente, aumentando as estatísticas”, confirma.
A autora revela o que todo mundo, de certa forma, já sabia, mas faltava confirmar: o brasileiro gosta mesmo é de estar junto. “O número de adultos, depois dos 25 anos, que vivem sozinhos, é muito pequeno. Mais de 70% desse universo vive em união estável, então casamento, amor e convivência com certeza é bom e faz bem para a saúde, isso as pesquisas comprovam”, opina Márcia.
Segundo ela, mais do que o casamento, o sexo une as pessoas. E não estamos falando só das formas rotuladas de um sexo apaixonado, mas de formas diversificadas de se estabelecer uma união e de ter carinho. “O sexo sempre esteve ligado ao casamento, aliás se não tivesse sexo não teria casamento, seria um contrato de sociedade. A presença sexual fortalece o vínculo entre as pessoas, químicos e hormonais. O vínculo do sexo é muito forte, visceral, e os hormônios vão atuando no cérebro e fazem com que a paixão se transforme em amor. Amar é cuidar, é ficar próximo, trocar carícias, carinho, é compromisso”, diz Marcia, revelando algo que ela com certeza não aprendeu em seus estudos estatísticos.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar