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Jovens fotógrafas mostram sentimento e técnicas

Uma fotografia pode expressar muitas coisas. Um momento de felicidade, uma viagem, uma etapa importante da sua vida ou até mesmo seu sorriso em uma tarde comum. Criar mais do que uma fotografia bonita e extrair da pessoa fotografada o sentimento, a simpli

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Uma fotografia pode expressar muitas coisas. Um momento de felicidade, uma viagem, uma etapa importante da sua vida ou até mesmo seu sorriso em uma tarde comum. Criar mais do que uma fotografia bonita e extrair da pessoa fotografada o sentimento, a simplicidade e a atitude certa são a proposta do trabalho de fotógrafos com pouco tempo de mercado, mas que já mostram resultados diferenciados no que se refere a um quesito em especial: direção.

Fotografia focada em pessoas. Essa é a proposta de Júlia Rodrigues, que aplica uma direção artística humanizada em seus trabalhos. O resultado dá para ver nas imagens que ela estampa nas principais revistas de circulação nacional como “Época”, “Vip”, “Playboy” e “Superinteressante”.

Para extrair boas fotos, Júlia aposta em algo a mais, não só na boa técnica, mas nesse envolvimento com o universo de quem vai ser fotografado. “Tento sempre ir mais para direção de fotografia, saber o que dizer para o fotografado, entrar no universo dele e ir menos para produção, direção de moda. Tento me direcionar para um cenário e uma luz cada vez mais simples e tentar extrair atitude do retratado na hora da foto”, revela Júlia, que aposta que o diferencial está mesmo nas pessoas e nas interações humanas. “Faço muito retrato, ensaio sensual e gastronomia e, cada vez mais, os pedidos são para que se use muita luz natural e menos produção pomposa. O que se pede é simplicidade”, conta.

Júlia tem apenas 28 anos, e começou como assistente de fotografia de Ernani D’Almeida e Jorge Bispo aos 22. Aprendeu com eles e em pouco tempo conquistou um espaço respeitado na fotografia brasileira. “Sempre vi que eles conversavam muito, contavam as referências, falavam até dos filmes que eles pensaram, rolava muita troca. Essa conversa é mesmo necessária para o fotógrafo e retratado se sentirem melhor, afinal é estranho uma pessoa que você nunca viu na vida mandar você encostar na parede e apontar uma câmera enorme na sua cara. As chances de isso dar errado e você transparecer esse tipo de desconforto são muito grandes”, conta Júlia, que acredita que esta interação serve não só para a criação do conceito da foto, como também para quebrar o gelo na hora do clique.

Em Belém ministrando pela primeira vez uma oficina “Portrait Photography”, através da “Rede Motiva” e em parceria com o Pará Criativo e o Instituto de Artes do Pará (IAP), Júlia compartilhou suas experiências com fotógrafos paraenses e também aprendeu com eles. “Conheci melhor as fotos de Luiz Braga e Miguel Chikaoka, que são fantásticas”, explica Júlia.

Direção afetiva

A fotógrafa Cláudia Regina, que também passou recentemente por Belém, é outra que acredita e compartilha em seus workshops do conceito da “Direção Afetiva”, com ensaios fotográficos mais humanos, criando significados, sorrisos verdadeiros e mudança de paradigma. “O workshop é de direção de pessoas, que eu chamo de direção afetiva, que nada mais é do que saber falar e como lidar com as pessoas para deixá-las à vontade diante da câmera. O necessário é basicamente empatia ao invés de técnica. Não existe fórmula. É preciso estar bem e fazer as pessoas se sentirem bem”, explica.

Para Cláudia, uma foto bonita é fácil de fazer, tendo em vista que existe um conjunto de técnicas, mas expressar um sentimento em uma fotografia é que exige do profissional o conhecimento do seu cliente e de si próprio. Para conseguir esse envolvimento com seus clientes, Cláudia não delimita horas para os ensaios que faz. Reserva um dia inteiro em sua agenda apenas para um ensaio e busca um lugar intimista, que ela chama de alternativo. “O momento precisa ser sem formalidades, um bate-papo. A proposta é conversar mais e fotografar menos”, revela, paradoxalmente.

Cláudia trabalha com fotografia há 9 anos e começou em um estúdio quando se interessou pelas lentes e câmeras. Criou um blog com dicas de fortografia e fez sucesso. As pessoas pediam informações e propunham que ela fizesse cursos. Atendendo a pedidos, começou os workshops pelo Brasil e já passou por 17 Estados.

Teresa Jardim foi uma das poucas que teve a oportunidade de fazer o workshop “Direção Afetiva” em Belém, já que as vagas eram superlimitadas, para tornar o ambiente íntimo o suficiente para o que Cláudia deseja repassar. “A experiência é fantástica pela forma diferenciada da proposta de Cláudia. Ela mostra aspectos que normalmente não são trabalhados pelos cursos, e nos propõe o que eu vejo como uma mudança de vida”, conta Teresa, que viu o curso como uma verdadeira aula de Psicologia. “O principal é descobrir como fazer essa conexão com os clientes para que o retrato realmente signifique algo”, completa Tereza.

(Diário do Pará)

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