plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 26°
cotação atual R$


home

_
_

Cinemas públicos de Belém recusam doação

Modernizar é a palavra de ordem do mundo atual e a era do cinema digital tem deixado películas e projetores para trás. Em outubro do ano passado, uma das principais redes de cinemas que atuam no país, a Cinépolis Brasil, concluiu a digitalização de suas s

twitter Google News

Modernizar é a palavra de ordem do mundo atual e a era do cinema digital tem deixado películas e projetores para trás. Em outubro do ano passado, uma das principais redes de cinemas que atuam no país, a Cinépolis Brasil, concluiu a digitalização de suas salas e passou a ser a única rede nacional de grande porte totalmente digitalizada. Nesse processo, a empresa organizou um amplo programa de doações de equipamentos de projeção em 35mm para instituições culturais sem fins lucrativos nas regiões onde atua, e o Pará estava de fora. Após a interferência da Associação de Críticos de Cinema do Pará-ACCPA, a Cinépolis ofereceu de graça equipamentos para três cinemas de Belém administrados pelo Governo do Estado e pela prefeitura da capital. Mas, para surpresa geral, até agora somente um deles aceitou o presente.

Enquanto uns não querem, outros comemoram o presente

As negociações para a doação dos projetores iniciaram em maio, quando a Cinépolis divulgou por e-mail uma lista com as instituições contempladas com as doações e o Pará não estava lá.

“Não estávamos na listagem porque ninguém sabia e ninguém tinha se proposto a receber. Entrei em contato com a empresa e apresentei possibilidades para que um dos projetores ficasse em Belém”, conta a jornalista e membro da ACCPA, Dedé Mesquita.

“Não oferecemos para ninguém. Realizamos uma divulgação em instituições culturais e quem quis entrou em contato conosco. Não fizemos edital, nem seleção. Nossa única restrição é que não faríamos doações para a iniciativa privada, para exploração comercial. Nosso intuito era beneficiar uma série de instituições culturais do Brasil. O fim da doação é a preservação da memória e que se mantenha vivo o filme em película. O que aconteceu em Belém é que quem nos procurou o fez após a divulgação no Brasil todo”, esclarece o diretor de expansão e construção da Cinépolis Brasil, Luiz Gonzaga de Luca.

Dedé sugeriu o Cine Olympia, o Cine Líbero Luxardo e o Cine Estação como possíveis espaços a serem beneficiados e a Cinépolis deu um retorno positivo, disponibilizando equipamentos para os três. Mas o Cine Líbero Luxardo e o Cine Olympia não aceitaram o presente da operadora mexicana. O primeiro alegou carência na distribuição de filmes em películas, além de projetos de modernização que estão em andamento para a sala e a falta de técnicos especializados em Belém para a montagem e instalação do equipamento. O segundo chegou a negar a doação por falta de necessidade, mas teria voltado atrás, informação não confirmada pela assessoria do Olympia.

Até agora, o Cine Estação foi o único que aceitou a oferta. “Vejo de forma muito positiva o reconhecimento da empresa. Quem ganha são os apreciadores da Sétima Arte. Tivemos o privilégio de ser contemplados e ficamos muito felizes”, pontua a gerente cultural da Estação das Docas, Isa Arnour. Ela diz que o novo projetor tem vida útil maior do que o utilizado atualmente. “Vamos deixar o nosso em stand by e usar o novo para atender a programação”, completa. Os trâmites para receber o equipamento estão em andamento, ainda sem data marcada para entrega. A própria equipe técnica do Cine Estação vai montar e instalar o projetor.

Sem lugar para a película

No Cine Líbero Luxardo, chegou-se até a avaliar a possibilidade de receber o presente, que acabou em negativa. A gerente do espaço, Patrícia Lio, conta que recebeu a informação da oferta pelas redes sociais, intermediada pela jornalista Dedé Mesquita, e a partir daí procurou a rede Cinépolis extraoficialmente para avaliar a viabilidade da doação para o Líbero. “Detectamos que seria inviável. Se aceitássemos, ele ficaria sem uso. Preferimos dar a oportunidade a outro órgão ou associação”, diz a gerente.

Patrícia Lio justifica a decisão: “Já temos um projetor em 35mm, em ótimo estado, em atividade desde 2007. Tivemos um problema de manutenção no início do ano que foi solucionado. Talvez o público esteja sentindo uma diminuição de exibição de filmes em 35mm por causa da escassez da distribuição em película, que está com os dias contados. Temos dificuldade em locar neste formato e, quando conseguimos, percebemos uma perda na qualidade da projeção, porque são poucas cópias que vão primeiro para o Sul e Sudeste e já chegam aqui com avarias”.
Ainda de acordo com ela, a cabine de projeção do Líbero não comporta outro projetor de 35mm, pelo tamanho. “Uma adaptação na sala deverá ser feita para comportar o projetor digital, já que estamos batalhando para a modernização da nossa sala, através de um projeto de digitalização junto à Ancine (Agência Nacional de Cinema)”, destaca.

A princípio, o Cine Olympia não iria aceitar o projetor, por não ver necessidade, já que possui dois equipamentos de 35mm e também tem projetos de modernização previstos para 2015. Mas o prefeito Zenaldo Coutinho teria voltado atrás da decisão. A reportagem entrou em contato com a Fundação Cultural do Município de Belém (Fumbel), responsável pela administração do cinema, mas até o fechamento desta edição não teve retorno sobre o posicionamento final a respeito da doação do Cinépolis. Mas a chance de uma negativa deixa a jornalista Dedé Mesquita preocupada: “Todo mundo sabe que o projetor do Olympia é muito ruim. Eles só vão digitalizar no ano que vem, tem muito tempo até lá”, diz.

Dedé completa: “Eu entendo a preocupação, mas acho um absurdo não aceitarem. Parece que, na verdade, eles não querem ter trabalho. O cinema Reserva Cultural, em São Paulo, tem os dois formatos, um não inviabiliza o outro. Isso só aumentaria a possibilidade de o público ter mais filmes. Os cineclubes não são cinemas comerciais, eles exibem filmes antigos e clássicos que só estão disponíveis em películas. As pessoas estão encantadas com o digital, mas e o passado do cinema?”, questiona a jornalista.

(Diário do Pará)

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em _

    Leia mais notícias de _. Clique aqui!