Depois de dois meses com exposições abertas ao público, a 5ª edição do “Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia” chega à reta final. Hoje é o último dia de visitação da mostra dos artistas premiados e selecionados, no Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, e também das exposições “Cidade Invisível”, de Janduari Simões, e “Pequenas Cartografias (E Duas Performances)”, com trabalhos de Marise Maués, Michel Pinho, Cinthya Marques, Rodrigo José, Marco Santos e Luciana Magno, montada no Museu da UFPA. Ambas as mostras têm entrada franca.
Só nos meses de abril e maio, as exposições receberam mais de 35 grupos agendados no Museu da UFPA e 40 na Casa das Onze Janelas. Mais de 1,1 mil visitas foram de estudantes, reforçando a ideia de que o maior impacto que um projeto como o “Diário Contemporâneo” deixa na cidade não é a premiação, mas a contribuição para a educação visual e cultural daqueles que entram em contato com as obras selecionadas.
Foi o que aconteceu com uma turma da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Princesa Izabel, levada para visitar as mostras pelo professor Jaime Velarde. Ele fez da ação o ponto de partida para um projeto escolar no qual os alunos pudessem produzir conteúdo para alimentar a página da escola no Facebook e, posteriormente, um blog. “A ideia é fazer com que eles escrevam e produzam, criando conteúdo com o celular e com os materiais que eles têm no cotidiano. Eles usam muito o celular, estão sempre com ele em mãos, mas têm que otimizar esse uso. É uma ferramenta de percepção das realidades em que eles vivem”, contou.
RICA TROCA
Assim como o público recebe muito em informação, também devolve muita coisa em troca. O cotidiano dos jovens estudantes de artes visuais que atuam na mediação dos espaços expositivos do “Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia” poderia ser monótono ou repetitivo: passam dois meses em um ambiente com as mesmas fotografias e falando sobre os mesmos trabalhos. Mas isso não acontece. Além da constante troca de locais de trabalho, os mediadores encontram no público uma nova maneira de enxergar as obras, desacostumando o olhar.
Mateus Monteiro é um dos monitores das mostras. Conta que se candidatou à vaga para melhorar sua maneira de lidar com o público, ter mais desenvoltura e mais habilidade no cotidiano de trabalho. Mas rotina é tudo que os mediadores não têm, a cada visita, estão em contato com um novo público. “Eles falam coisas de uma imagem que às vezes a gente não percebe”, diz.
A leitura é feita a partir da vivência e da bagagem cultural de cada um, e muitas vezes, até aqueles mais novos têm algo a observar sobre a exposição. Mateus lembra que uma criança viu a obra “Nóstos”, de Marise Maués, “e disse que a Marise queria casar com a natureza”. Outra criança, ao contemplar uma obra de Luciana Magno, “falou que a Luciana estava nua porque ela se sentia bem”.
PRÊMIO DIÁRIO VAI VIRAR COLEÇÃO ESPECIAL
É o público que faz um espaço de exposições funcionar. E é para o público que projetos como o “Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia”, com recém-completados cinco anos de ação e número recorde de inscrições em 2014, são feitos.
Nesse período, o prêmio deixou várias obras que foram incorporadas aos acervos dos museus de Belém, que agora tomam corpo como coleção. “Conversando com o Mariano (Mariano Klautau Filho, fotógrafo e curador geral do “Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia”) e a equipe, chegamos à conclusão de que o Prêmio deveria permanecer no acervo da Casa das Onze Janelas de uma maneira mais significativa.
Já que ao longo das edições anteriores o Prêmio generosamente cedeu ao espaço as obras premiadas, pensamos juntos na possibilidade de fazer com que, dentro do acervo da Casa, criássemos um fundo do Diário Contemporâneo. Isso representa um ganho para a Casa e especialmente para o Prêmio, porque poderemos contar, futuramente, a memória dessa iniciativa”, comentou Armando Queiroz, diretor do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas.
“A coleção ‘Prêmio Diário’ também vai se tornar disponível para que os artistas possam nos oferecer obras. Essa ação, sem dúvida, vai favorecer ainda mais a arte”, afirma a diretora do Museu da UFPA Jussara Derenji.
O número recorde de inscrições e a formação das coleções são o resultado de um trabalho constante, observa o curador do projeto, Mariano Klautau Filho: “Chegamos à quinta edição com um ótimo saldo positivo, porque o projeto tem sido comentado. Os 518 inscritos deste ano são resultado disso, e também porque o projeto estabelece um diálogo com a produção brasileira, ganhando um respeito muito grande no circuito da arte”, analisa.
O “Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia” é uma realização do jornal DIÁRIO DO PARÁ, com patrocínio do shopping Pátio Belém e Vale, apoio institucional da Casa das Onze Janelas, do Sistema Integrado de Museus/Secult-PA, Sol Informática, Instituto de Artes do Pará e Museu da UFPA.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar