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“Amazônia” estreia hoje e tem tudo para encantar

A singela história de um macaquinho urbano que descobre a floresta e que, por tabela, descobri a si próprio. Enfrenta seus medos, suas descobertas (inclusive do amor) e nos leva a mergulhar natureza adentro com a percepção de seus ingênuos olhos. Assim é

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A singela história de um macaquinho urbano que descobre a floresta e que, por tabela, descobri a si próprio. Enfrenta seus medos, suas descobertas (inclusive do amor) e nos leva a mergulhar natureza adentro com a percepção de seus ingênuos olhos. Assim é “Amazônia”, que estreia hoje e promete ser um dos grandes filmes da temporada de férias infantis.

Uma pré-estreia ocorreu por aqui, para apresentar em primeira mão o filme e parte da equipe responsável. O roteirista Luiz Bolognesi era um dos mais ansiosos antes da exibição no Cinépolis. E não era para menos: mostrar a Amazônia para quem vive esta realidade é sempre submeter o trabalho a especialistas. E a preocupação de não parecer um olhar “estrangeiro” era uma constante.

“O filme é dirigido por um francês, o Thierry Ragobert, e tinha um time de roteiristas franceses, mas acho que me convidaram como roteirista para dar mais brasilidade ao filme. Fui estudar o assunto e vim várias vezes aqui, tentando entender como ler de forma poética e sensível a Amazônia. Conversei com caboclos, biólogos, barqueiros estudiosos do bioma e do ecossistema. Tentei buscar uma representação do imaginário dos povos da floresta e me inspirei em mitos indígenas de formação do mundo”, revelou o roteirista, que contou com apoio de pesquisadores do Museu Emílio Goeldi.

O personagem central do filme é Castanha, um macaco-prego com “pensamentos” que, admitiu Bolognesi, foi construído para ser facilmente identificado com sentimentos humanos. “Ele é um macaco urbano, que é movido a fome, sede, a sentimento de vida e medo da morte, além de viver uma grande história de amor. Ele tenta descobrir a floresta e acaba em um processo de autoconhecimento”, detalhou.

E a escolha desse animal em especial não foi por acaso. “Na minha pesquisa percebi que o macaco é o animal mais esperto e o mais malandro também. É o que mais se parece de fato com um humano”, justificou.

A produção, toda rodada em 3D, foi filmada direto na floresta e sem montagens em computador. “Eram 150 pessoas em um set armado na floresta com mais de 45 toneladas de equipamento. Era preciso ter paciência e esperar o tempo do animal, mas o resultado foi surpreendente”, comemorou Bolognesi.

Castanha é dublado por Lúcio Mauro Filho e sua parceira de aventuras, Gaia, tem a voz de Isabelle Drummond. “Eu tenho uma origem amazônica, pelo lado do meu pai, que é paraense. Tive essa sorte de ser apresentado à Amazônia, de certa forma, pelo lado de dentro”, diz o ator.

Amazônia quer se ver na tela

Durante a pré-estreia do filme, Fabiano Gullane, que assina a produção de “Amazônia” ao lado da empresa francesa Biloba, encontrou-se com o público em um bate-papo na sede do Banco da Amazônia, que patrocina o filme. Estudantes de cinema e profissionais da área estiveram presentes para conhecer mais sobre os bastidores do filme lançado no ano passado, e que tem percorrido uma trajetória de sucesso em grandes Festivais de Cinema, como o de Veneza (onde ganhou o prêmio WWF de Meio Ambiente), Cannes, Toronto, e Rio de Janeiro, onde fez a abertura da edição de 2013.

“Esse projeto em 3D conjuga todos os elementos que um grande filme sobre a Amazônia deve ter. Fazer cinema não é estar restrito a São Paulo, Rio de Janeiro e Hollywood. Tem que fazer em qualquer lugar do mundo. O audiovisual no Brasil vive um momento especial. Em 1991 e 1992 tivemos um ou dois filmes produzidos; em 2014 são mais de 120 longa-metragens no país. É um movimento sem volta. O brasileiro tem muito orgulho de ser brasileiro e gosta de ver a sua história na tela”, comentou Fabiano. Ele ainda acrescentou que Belém tem vocação de liderança cultural e se disse feliz com os filmes da paraense Jorane Castro.

Mais do que um produto cultural, Fabiano defendeu o cinema como um ícone histórico. “O Carandiru não existe mais, foi demolido. As novas gerações saberão dele devido ao filme homônimo. Olha a importância do cinema! Ele não é só bilheteria e festivais, ele ajuda a escrever a história de um país, é um registro histórico”, pontuou o produtor, que participou da produção de “Carandiru”, de Hector Babenco, um clássico da retomada da produção audiovisual no país.

Sócio da produtora Gullane, que tem cerca de 40 filmes no portfólio, Fabiano diz que quem deseja seguir carreira no cinema precisa de força e determinação. “Você vai errar e vai ser difícil. Chega uma hora em que não há horizonte. Se estiver muito fácil, desconfie. O primeiro passo é uma ideia boa, depois escrever um bom roteiro – o Brasil, nesse sentido, é muito intuitivo e pouco técnico. Por fim, a busca pelo financiamento é o momento em que 90% dos colegas acabam ficando para trás. Além de artista, você precisa ser um pouco empresário e empreendedor na hora de financiar”, comentou.

(Diário do Pará)

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