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Artista utiliza referências naturais em Exposição

Cores de Almodóvar e cores de Frida Kahlo apresentadas em um universo lúdico com um dos personagens preferidos do público infantil: os passarinhos. Esse é um dos alicerces da exposição “Como Um Sol no Meu Quintal”, da artista visual paraense Michelle Cunh

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Cores de Almodóvar e cores de Frida Kahlo apresentadas em um universo lúdico com um dos personagens preferidos do público infantil: os passarinhos. Esse é um dos alicerces da exposição “Como Um Sol no Meu Quintal”, da artista visual paraense Michelle Cunha, que estreia hoje, às 19h, na Galeria Gotazkaen. A mostra reúne 50 trabalhos dedicados ao desenho e à ilustração, incluindo particularidades como cadernos de esboço, objetos, gravuras e registros de trabalhos feitos nas ruas. A exposição fica aberta ao público até o dia 26 de julho e marca o retorno de Michelle a Belém.

A artista passou os últimos oito anos circulando pelo eixo Centro-Oeste/Sudeste do país, pintando e propondo ações em cidades de Goiás e outros Estados próximos a Brasília, onde fixou residência. De volta às terras paraenses, ela montou um ateliê na Ilha de Mosqueiro, onde mantém as portas abertas para um ininterrupto intercâmbio de ideias e vivências com outros artistas e o público. O cenário bucólico do distrito é a sua maior inspiração e fica latente na forma dos pássaros.

“Os passarinhos aparecem mais. Comecei a trabalhar essa temática na Ilha, que tem essa coisa bucólica. Mas a exposição também apresenta outros elementos. Trabalho muito a coisa do lúdico, a maioria dos meus personagens remete ao universo infantil”, pontua Michelle.

Um dos destaques é o que ela chama de “Arvoredo”, espécie de personagem que ora aparece como um moço, ou uma moça, ou até uma família inteira, mas que sempre traz uma árvore na cabeça. “Mostra um convívio com o mundo de uma forma mais orgânica e menos agressiva. É bem infantil, como se fossem fábulas desenhadas. Uso muitos elementos de conto de fadas, historinhas infantis. Este personagem está sempre acompanhado de uma árvore ou outra planta. É como se ele levasse o meio ambiente por onde fosse”, diz a artista.

Além da natureza, a liberdade é outro viés inspirador. Longe das gaiolas, os passarinhos são apresentados em pinturas feitas em latas de spray já utilizadas por Michelle. Parece que estão ali, soltos, acessíveis para todo e qualquer visitante. A série de pássaros é a sua mais recente produção, onde a cor e o tema não buscam qualquer intenção, mas indicam uma postura aberta ao puro prazer do gesto, à volúpia da imagem.

A utilização de vários tipos de papel é o suporte principal do trabalho de Michelle. Para colorir, a artista usa o que tiver de possibilidade: tinta acrílica, tinta spray e por aí vai. Durante a carreira, ela já experimentou técnicas e linguagens das mais diversas. Foi da xilogravura ao grafite, do lambe-lambe ao desenho digital, da colagem à estamparia. “Como Um Sol No Meu Quintal”, como a artista faz questão de frisar, não pretende ser uma retrospectiva, mas trazer ao público a essência da sua poética, a exposição dos seus processos em estado mais puro e a diversidade de elementos dos quais se vale para criar.

(Diário do Pará)

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