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Novas formas de representar o Círio dos paraenses

Acontece todos os anos, mas não pode ser igual. O Círio de Nazaré movimenta a cidade e diversas expressões artísticas. No caso das roupas e joias que serão produzidas tendo a festa religiosa como o tema, os designers já começam a buscar inspiração para in

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Acontece todos os anos, mas não pode ser igual. O Círio de Nazaré movimenta a cidade e diversas expressões artísticas. No caso das roupas e joias que serão produzidas tendo a festa religiosa como o tema, os designers já começam a buscar inspiração para inovar.

O assunto está em pauta esta semana no Espaço São José Liberto, num ciclo de palestras e workshops iniciado ontem para reunir profissionais da área em busca de uma identidade visual para as peças inspiradas na devoção mariana. Um dos resultados deve ser a coleção de joias do Círio 2014.

Este ano, o tema é um adubo para a criatividade: a fé e crença em Maria, algo extremamente subjetivo e que pode ser uma dádiva aos mais inventivos. “A fé e crença que os devotos têm em Maria, mãe de Jesus, e que é vista por muitos como o cordão umbilical que leva a Deus, podem ter várias formas de ser representadas, e de explorar esse sentimento. A corda, o manto, a coroa, tudo isso pode ser estilizado. Vamos esperar o que os designers vão eleger para trabalhar nas peças que serão produzidas”, adianta a diretora Instituto de Gemas e Joias da Amazônia do Espaço São José Liberto, Rosa Helena Neves.

A designer de joias e professora do curso de design da Universidade do Estado do Pará, Rosângela Gouvêa Pinto, ministrará o workshop de geração de produtos para a coleção de joias 2014. Ela acredita que inovar nas peças é um grande desafio, por se tratar de um tema cultural, e que faz parte da identidade dos paraenses.

“Nesse caso é importante buscar se diferenciar nas formas de representar o elemento, pensar diferente na hora de projetar o produto, que pode ser um manto, por exemplo, mas que pode ser trabalhado com diferentes materiais, cortes, espessuras, sem que se perca o significado. As pessoas precisam reconhecer que ali está aquele objeto”, explica a professora, que acredita que a associação de elementos diferentes e a forma de aplicá-los pode ser uma maneira de inovar sem perder as características principais do objeto.

A estratégia para buscar a readaptação desse olhar exige senso crítico, e também explorar a transversalidade entre referências, buscar um elo entre ideias singulares e universais. “O processo de criação procura justamente novos olhares mesmo partindo de algo já conhecido para nós, portanto é uma jornada exploratória a fim de achar novas conexões, associações. Nosso workshop está centrado exatamente em refletir sobre os pontos positivos e negativos dos produtos relacionados ao Círio que já existem no mercado.

Em seguida, separei imagens de moda que usam imagens religiosas de uma maneira mais inovadora”, explica a designer de moda Yorrana Maia, que também aposta nas associações de ideias, tecidos, materiais e estampas para explorar essa temática com um olhar inovador.

Além do desafio da inovação, em se tratando de peças que serão expostas no próprio corpo de quem usa, no caso da temática religiosa não se pode esquecer que ainda carregam toda a tradição e sentimento de quem opta por elas. “Para os paraenses, vestir uma roupa relacionada ao Círio é quase um ritual que faz parte da festividade. Como designers, nosso papel é sempre centrado no consumidor, ou seja, criar produtos que supram as suas necessidades não só físicas, mas também emocionais”, acrescenta Yorrana.

Para a delicadeza que as joias pedem, o tema deste ano pode ser uma oportunidade de experiências mais livres, afinal, representar a fé, os sentimentos e a emoção de quem acredita na mãe de Jesus é muito singular. “Para um tema como esse, é importante trabalhar as técnicas de criatividade, explorar um sentimento e transformá-lo em objeto. Isso garante uma interpretação mais livre que vai depender do estilo pessoal de cada designer.

O workshop visa buscar uma unidade para a coleção, reunindo essas ideias em um pensamento comum aplicado ao tema”, explica a professora Rosângela Pinto.

(Diário do Pará)

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