Pelo segundo ano consecutivo, o Estúdio Reator realiza o “Yellow Cake”, programação cultural que vem sendo realizada sempre no mês de julho, com objetivo de trazer à Belém uma opção cultural para quem nem sempre viaja para as praias aos finais de semana. Neste mês, às quintas, sextas e, eventualmente, aos sábados, o Reator estará com um espetáculo performático em cartaz, como é o caso de “Transophia”, que abre a programação hoje, às 21h.
“Transophia”, de Pedro Olaia, traz à tona a personagem Sophia, uma drag criada pelo ator muito antes de ele pensar em se envolver com o universo da performance. A personagem nasceu em 1999, quando Olaia, ainda com 21 anos, andava à noite pelos guetos GLBTs de Belém.
Sophia é uma personagem andrógena. Ao misturar uma série de referências na concepção da personagem, Olaia traz para o corpo da drag a tecnologia desconstruída. No cenário, um tablado quadrado pode lembrar um quarto ou um camarim, e lá a drag se vê rodeada de fragmentos de HDs e outras peças de computador, que vão sendo gradativamente agregados a seu corpo, proporcionando ao público uma visão cada vez mais onírica daquela persona em (des)construção, em crítica direta ao consumo, simbolizado pelo lixo tecnológico que isso gera como dejeto.
“Reencontrei o Nando Lima no ano passado e disse a ele que queria fazer algo agregando a tecnologia à performance. Já vinha desmontando computadores, impressoras velhas e descobrindo objetos para construir um novo corpo. Este ano nos unimos para realizar isso”, explica Olaia.
“Transophia” também coloca em cheque uma Amazônia que não tem acesso à mesma tecnologia disponível no primeiro mundo. “Aqui já consumimos a sucata deles. Por isso no espetáculo há muito da truquenologia, da gambiarra, do reuso de equipamentos e da tecnologia do possível. Tudo isso está conceituado no me trabalho”, finaliza o artista, que é engenheiro elétrico por formação.
As incursões de Sophia, até então, vinham sendo feitas nas ruas e esta é a primeira vez que ela é trazida para dentro de um espaço teatral, onde é possível vivenciar uma forma mais elaborada do ponto de vista técnico. “Há uma diferença, sim, em fazer a Sophia dentro do Reator. Personagem de rua é outra coisa, você tem que fazer tudo grande e exagerado; aqui dentro tem algo mais intimista, próximo das pessoas, a atenção está toda nela, não tem nada externo. Então, muda a ambientação, a plasticidade. É como se fosse um quadro sendo pintado, com a luz e a maquiagem desenhando este corpo. Na rua é tudo mais cru”, comenta o artista.
O espetáculo traz direção e visualidade de Nando Lima e pesquisa musical e operação de som de Dudu Lobato. Na próxima semana, dias 10 e 11, Nando, à frente do Estúdio Reator, volta ao palco, dessa vez fazendo a própria performance de “Incidental”. O “Yellow Cake” depois segue com mais duas sessões de “Transophia”, nos dias 17 e 18 de julho.
AGENDE-SE
Na próxima semana, dias 10 e 11 de julho, a programação “Yellow Cake” apresenta “Incindental”, performance de Nando Lima.
SERVIÇO
“Transophia”, performance de Pedro Olaia
Quando: Hoje e dias 5, 17 e 18
Hora: 21h
Ingressos: R$ 20, com meia entrada para estudantes e classe teatral
Onde: Estúdio Reator (Travessa 14 de Abril, 1053, próximo à Gov. José Malcher).
Informações: (91) 8112-8497
(Diário do Pará)
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