Ele é o ritmo do Pará, de janeiro a janeiro. Perpassa pelo carnaval, pelas festas de São João. O brega está para o paraense como o forró para o nordestino, é nacional como o samba. E toda essa força do brega desagua esta noite para entrar no ritmo da Copa do Mundo, na sexta edição do “Bregaço”, no Mormaço.
O evento reunirá dois grandes nomes quando se fala em festa, dança e muito ritmo: a banda Xeiro Verde e o cantor Edilson Moreno. Ambos prometem ao público o melhor “Bregaço” já feito, com brega dos 1970, 1980 e 1990 até o tecnobrega, para todo mundo dançar e fazer seu “caqueado”.É claro que o brega não existe só no Pará. Tem o “breganejo”, que é o brega meio sertanejo.
Tem o brega espalhafatoso e exagerado do cantor Falcão e também o brega de Recife, que tinha Reginaldo Rossi como grande referência. Ah, e ainda tem a disputa com Macapá. “Eles gostam de dizer que Belém é a capital do brega, mas é em Macapá que o bicho pega. Mas a gente se acha mais ‘top’, porque nosso brega tem muito mais dança, a gente faz muito mais ‘caqueado’”, diz Edilson Moreno.E o cantor promete fazer muita gente dançar com seu repertório recheado de músicas consagradas, como “A Ladra”, “Camelô”, “Sombra do Desejo” e “Avião”.
Edilson Moreno gravou seu primeiro disco em 1992, emplacando como primeiro sucesso “O Ladrão”, música dançante e de letra carismática, como é típico do Edilson Moreno compositor. Suas letras, que ficaram famosas nas vozes de Wanderley Andrade e da Banda Calypso, também estarão no show desta noite.
Já a banda Xeiro Verde pretende levar para a festa apenas as “marcantes”, músicas de diversas bandas e artistas como Nelsinho Rodrigues e que fizeram sucesso na década de 1990. “A gente tem encontrado no Bregaço uma galera muito animada, na faixa dos 30 ou 20 anos de idade, que gosta de brega, curte dançar, e encontrou ali um espaço para isso”, diz Hellen Patrícia, vocalista da banda.No repertório da banda, músicas como “Tá Faltando Homem”, “Fogo de Amor” e “Beijo Bom” estão confirmadas.
Mas não basta só cantar, tem que dançar. “Na minha época de garoto, tinha que aprender a dançar o brega para ganhar as meninas. Ganhava quem sabia dançar bem, podia não ter dinheiro nem ser bonito, mas na festa era uma fila para dançar com a gente”, conta Edilson Moreno.
O músico e a vocalista da Xeiro Verde se dizem muito felizes em fazer parte do “Bregaço” e ver que o público jovem aceita o brega como cultura e como arte paraense. “Eu estive no Mormaço e encontrei ali uma galera formada principalmente por universitários. Fiquei surpreso por eles conhecerem minha história e repertório, verem que meu brega é pura arte paraense”, declara Edilson Moreno.
(Diário do Pará)
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