A realidade do coronelismo, da violência e de outras dificuldades enfrentadas pelo povo do arquipélago marajoara é o que mostra o espetáculo “Marajó – Terra de Ninguém”, organizado pelo Centro Cultural Atores em Cena, como trabalho de conclusão das turmas do curso “Vivenciando Teatro”.
A peça será apresentada hoje, às 20h, no Teatro Experimental Waldemar Henrique. A direção é de Edson Monteiro. O texto de “Marajó – Terra de Ninguém” foi criado há quase 10 anos pelo teatrólogo e escritor Ramon Stergmann, falecido em 2008. Desde então, a peça já ganhou diversas encenações e duas premiações ao retratar o coronelismo que se perdura até os dias atuais na região.
Nessa versão do espetáculo, a montagem ganhará um novo formato: o de teatro de arena, onde os atores não saem de cena e formam, com os próprios corpos, as paredes, bancos e mesas do cenário.O enredo conta a saga de personagens como Zé e Maria (dois caboclos marcados pela dor de perder os filhos por conta do descaso com a saúde pública), Dona Pilão (senhora fofoqueira que se mete na vida dos outros), Cândido (caboclo apaixonado), Mundinha (nordestina que adotou o Marajó como lar e que lidera uma revolta contra os fazendeiros da região), dentre outros.
Eles personificam as dificuldades enfrentadas pelo povo marajoara. “Ainda se tem uma imagem muito turística do Marajó, mas precisamos enxergar o povo sofrido, o ribeirinho, a falta de medicamentos... Passei cinco meses no Marajó vivenciado a realidade da região. Houve dias em que o almoço e o jantar eram camarão com farinha d’água e bebemos água do rio. Na peça, inclusive, retratamos a situação do garoto que toma água poluída e fica doente”, conta Edson.
Mesmo criada há quase 10 anos, a peça sempre se atualiza com novas informações e relatos, como os fornecidos por Dom Luiz Azcona, bispo da Prelazia do Marajó, que denunciou casos de pedofilia e prostituição de jovens e adolescentes na região. “Penso que, quando as pessoas saírem do espetáculo, elas se interessarão em conhecer o que acontece por baixo dos panos na região, para além das praias, do turismo”, finaliza Bruno Herrera.
Jovens atores
A peça apresenta jovens talentos que participaram do curso de formação de atores e que formam a nova geração do teatro paraense. Um deles é William Corrêa, de apenas 13 anos, que encarou a montagem como um desafio. “Foi preciso pesquisar o sotaque, o jeito de andar, de falar, o costume, as gírias. É um trabalho que temos que estudar e pesquisar bastante”, relata William que, apesar da pouca idade, já acumula quatro anos de vivência teatral.
“Teatro, para mim, é um modo de expressar o que você não consegue dizer verbalmente, de mostrar suas alegrias, suas tristezas, suas raivas, seus sonhos. É conseguir realizar o sobrenatural. Uma libertação e felicidade”, conclui o jovem.
NOVOS TALENTOS
Espetáculo “Marajó – Terra de Ninguém”
Quando: Hoje
Hora: 20h
Onde: Teatro Experimental Waldemar Henrique (Praça da República)
Ingressos: R$ 5
Informações: (91) 8241-9421
(Diário do Pará)
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