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Uma homenagem ao velho mestre do rock

Nunca tive a honra de conhecer mestre Laurentino. O que eu sei sobre ele é o que todo mundo sabe. Figura “fora de série”, amigo de Dona Onete e dono de um estilo próprio: desfila – quase sempre – com anéis exagerados em todos os dedos, óculos escuros e um

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Nunca tive a honra de conhecer mestre Laurentino. O que eu sei sobre ele é o que todo mundo sabe. Figura “fora de série”, amigo de Dona Onete e dono de um estilo próprio: desfila – quase sempre – com anéis exagerados em todos os dedos, óculos escuros e um chapéu estiloso. Simples e modesto, ele já fez de tudo um pouco. Já trabalhou na roça e foi técnico de manutenção de aviões.

>> O velho que não fala de amor

Músico autodidata, ele tem uma trajetória artística de mais de 60 anos e só hoje lançará seu primeiro disco, “Laurentino e os Cascudos”, dentro da programação do Festival Cultura de Verão, no Anfiteatro São Pedro Nolasco, na Estação das Docas, a partir de 20h.

Este é o primeiro trabalho solo do “velho Laurentino” que após um bom tempo na UTI, devido a uma pneumonia, está recluso, de repouso na casa da filha caçula. Laurentino já teve canções gravadas por grandes nomes do circuito nacional, como Mundo Livre S/A, Gilberto Gil, Otto e Tom Zé, e já participou de produções de outros artistas e grupos, como o Coletivo Rádio Cipó. “Lourinha Americana” é uma das suas canções de maior sucesso.

“Laurentino e os Cascudos” surgiu quando o produtor musical e radialista Beto Fares convidou os músicos a se unirem ao mestre com o intuito de fazer um show no Festival Cultura de Verão de 2011. Neste álbum, ele soma toda sua experiência ao talento musical dos “Cascudos” Elder Effe (baixo), Camillo Royale (guitarra), João Lemos (guitarra) e Junhão Feitosa (bateria), cada um vindo de seu projeto musical próprio.

“O Laurentino chegou dizendo que era o roqueiro mais velho do Brasil, então pensei: ‘por que não dar a ele uma banda de rock?’. Convidei os meninos e a apresentação no Festival teve uma repercussão muito positiva. O projeto teve um apelo muito grande, então tivemos a ideia de gravar o disco”, explica Beto, diretor musical do disco. A empatia entre as duas gerações foi tão bem recebida que logo outros convites começaram a ‘chover’, como para o Festival Se Rasgum. Laurentino, inclusive, é a capa da próxima edição da revista Seleta, da Se Rasgum Produções, que será lançada amanhã para convidados.

O álbum “Laurentino e os Cascudos” tem nove faixas. São sucessos de mestre Laurentino na versão rock de fato. “A gente fez o disco em cima do que ele falava. As pessoas que não estão acostumadas a ouvi-lo cantando rock, vão estranhar. Fizemos tudo para ele, do jeito que ele queria. E ficamos tristes que ao final ele tenha adoecido”, lamenta Beto Fares.

“O disco ficou muito legal. A gente ficou muito feliz com o resultado. Foi muito divertido gravar as músicas dele nesse tipo de arranjo. O mais engraçado é que em toda a carreira do mestre, ele nunca tinha entrado tantas vezes em um estúdio. Foi uma experiência muito boa para ele também. Me sinto honrado em ter feito parte do disco. É um reconhecimento muito merecido para o mestre”, pontua João Lemos.

SAÚDE FRÁGIL

A filha caçula de Laurentino, Gleyce Correa, diz que o pai está bem e se recuperando. “Ele está bem lúcido e tem recebido visita dos amigos”, tranquiliza. Segundo ela, os médicos desconfiam que ele, aos 88 anos, esteja com Mal de Alzheimer, mas o diagnóstico ainda não foi confirmado. Enquanto a trupe se prepara para o show de hoje, Laurentino passará por um check-up.

“Após a infecção pulmonar, ele passou a apresentar problemas no coração, o que talvez o impeça de comparecer ao show. Ele fala que quer ir, mas tenho medo de que ele se emocione e tenha algum problema. Também acho difícil os médicos liberarem. Era o sonho dele, me sinto muito feliz por isso. Ele está realizado”, diz Gleyce.

Laurentino conta com atendimento de “homecare” e, após a saída do hospital, já teve três paradas cardíacas. Gleyce espera que a venda dos CDs ajude nas despesas básicas para manutenção da saúde do artista. Como Laurentino estará ausente do palco hoje, a noite será comandada pelos Cascudos com participações nos vocais de Ana Clara, Lucas Padilha, Jayme Katarro, Léo Chermont e Bruno BO. Todos tentando representa-lo à altura.

“O mestre tem uma importância muito grande para a cultura popular, que vai além do rock e qualquer estilo musical. Acho que esse tributo vai ser bem bacana”, diz Lucas, que irá cantar “Belém Belém”.

(Diário do Pará)

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