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Se travestir de personagens pode ser um barato

Se você estava em Belém durante o último fim de semana, pode ter esbarrado por aí com o Chapeleiro Maluco, do País das Maravilhas, e Beetlejuice, transitando tranquilamente pelas ruas. Ou então com algum desavisado personagem de anime. O destino era certo

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Se você estava em Belém durante o último fim de semana, pode ter esbarrado por aí com o Chapeleiro Maluco, do País das Maravilhas, e Beetlejuice, transitando tranquilamente pelas ruas. Ou então com algum desavisado personagem de anime. O destino era certo: o concurso de ‘cosplay’ que encerrou o “Animazon no Taikai”, evento de cultura geek que reuniu mais de 6000 pessoas durante três dias (4, 5 e 6 de julho), em sua maioria adolescentes.

A ideia é se fantasiar de algum personagem real ou ficcional, como os de cinema, comics ou videogames. Aderir à onda é assumir o título de ‘cosplayer’. Mas o que leva tantos jovens a se apaixonarem por esse universo paralelo, só eles próprios sabem explicar. Lorrany Carvalho, de 17 anos, passou o evento todo tirando fotos com seus personagens favoritos. “Gosto de animes desde criança. O primeiro que vi e realmente me marcou foi ‘Samurai X’. Admiro quem tem essa coragem e vontade para se vestir de seu personagem favorito”, afirma.

Para se tornar um cosplay, vale de tudo, principalmente a criatividade. Mas também é preciso investimento. Uma fantasia completa em lojas especializadas em cultura geek, na capital paraense, pode chegar a R$ 2 mil. Para quem é adepto do “faça-você-mesmo”, o valor pode ser bem mais baixo, mas a qualidade da fantasia depende de encontrar uma boa costureira e os acessórios certos.

É o que garantem os amigos Felipe Soares e Yasmin Wakiyama. Felipe tem 15 anos e apareceu vestido de Chapeleiro Maluco, personagem do clássico literário “Alice no País das Maravilhas”, na primeira vez em que decidiu participar de um concurso de cosplay.

“Comprei apenas o conjunto de calça e terno, uma cartola, depois minha tia e uma amiga minha ajudaram a customizar com o que tinha em casa mesmo. Gastei cerca de R$ 70, mas acho que ficou bem legal”, conta. A maquiagem - inspirada na que Johnny Depp usou para encarnar o personagem na adaptação cinematográfica feita pelo diretor Tim Burton - e uma pequena chaleira que levava dentro uma “Alice” em miniatura, feita de pano, conquistaram o público.

A amiga, Yasmin, de 16 anos, vestiu-se de Alice para fazer par com Felipe. Ela conta que ter uma mãe que sabe costurar e descende de japoneses também ajuda a ser um cosplayer. “Ela sempre deu apoio, foi quem costurou minha roupa… É legal quando os pais entendem que isso é a nossa maneira de se divertir. Melhor do que ser um jovem que quer saber de beber ou de festas”. Sobre como é ser um cosplayer, ela explica: “É como ser outra pessoa, sentir como se você fosse realmente aquele personagem e sua história de vida fosse aquela”.

Os esforços dos amigos deram certo. O concurso deste ano teve 21 cosplayers desfilando em conjunto e 13 em apresentações individuais. O Chapeleiro Maluco de Felipe Soares conseguiu um terceiro lugar. Em primeiro, ficou Vítor Braun, de 21 anos, uma prova de que, com o cosplay, você pode ser quem quiser. Aplaudido intensamente do início ao fim de sua apresentação - que envolveu canto, cenário móvel e papéis picados para um final apoteótico -, Vítor ganhou encarnando a princesa Elsa, personagem do filme de animação “Frozen”.

O sorriso de nervosismo, as mãos indo ao rosto quando a música encerra e todos aplaudem, sem acreditar naquilo que acabou de realizar. Assim Vítor começou a descer do palco. “Foi um mês de preparação. Faço teatro, então não foi um nervosismo por causa do público, mas medo de que algo saísse errado. Foi emocionante, foi lindo, me sinto muito feliz”, declarava, enquanto começava a retirar vestido, peruca e maquiagem, sem imaginar que logo viria a vitória, que ele agradeceu subindo ao palco mais uma vez para receber os aplausos, agora em roupas de Vítor.

Da terceira vez, ninguém escapa

Enquanto o concurso foi rolando, muita gente continuou chegando, grupinhos se formando, gente tirando fotos. “Quem não se fantasia na primeira vez, ou na segunda, dificilmente resiste na terceira”, garante Mariah Lima, de 16 anos. Faz sentido. Quem estava no evento pela primeira vez, usava roupas comuns. Quem estava ali pela segunda vez, já arriscava uma máscara, um cabelo colorido, luvas de pelúcia, um vestido tipo “lolita”.

Quem percebe isso ano a ano é Felipe Salgado, produtor de eventos de cultura geek há 11 anos e organizador do “Animazon no Taikai” desde 2009. “A cada ano, o número de pessoas que comparecem e que participam se fantasiando, se apresentando, jogando, é cada vez maior”, relata.

Márcio Santos, 17 anos, devidamente caracterizado de Besouro-Suco (Beetlejuice), personagem do filme “Os Fantasmas Se Divertem”, se surpreendeu quando encarou o público pela primeira vez: “Sou fã do diretor Tim Burton e há três anos comecei a ser cosplayer com personagens dele. Primeiro fui Jack Esqueleto e ano que vem pretendo ser Edward Mãos de Tesoura. Minhas roupas são costuradas pela minha mãe e algumas coisas feitas por mim, como o terno de Besouro-Suco. Não achei terno listrado, então eu mesmo pintei.

Tinha receio de sair assim, pensei que as pessoas iam achar estranho, mas a primeira vez que isso aconteceu, todo mundo gostou, chamou para tirar foto, foi bem legal”, conta. E assim, animes, mangás, lolitas e cosplayers. Tudo que deveria estar do outro lado do mundo vai criando cada vez mais raízes aqui mesmo, em Belém.

(Diário do Pará)

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