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Oficinas formam dubladores para animações

O audiovisual paraense está se especializando, e a dublagem aparece como um novo caminho para o investimento na formação profissional. Uma das oportunidades para isso são as oficinas ministradas pela Fundação Curro Velho para jovens e adultos, a mais r

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O audiovisual paraense está se especializando, e a dublagem aparece como um novo caminho para o investimento na formação profissional. Uma das oportunidades para isso são as oficinas ministradas pela Fundação Curro Velho para jovens e adultos, a mais recente focada na criação e inserção de vozes para desenhos de animação, já um trabalho derivado do núcleo de animação criado por lá.

Com mais de dez anos de experiência na produção de bonecos e das vozes dos personagens do programa “Catalendas”, da TV Cultura, o instrutor da oficina, David Matos, revela que a dublagem para desenho animado tem o relógio como vilão. “O tempo da animação e a quantidade de ‘frames’ do movimento do boneco contam muito. No caso do 3D, a tecnologia tridimensional é tão perfeita que já segue um ritmo normal de fala”, pontua.

Ele ainda acrescenta que falar devagar e no tempo certo é que irá garantir veracidade ao desenho. A voz também é fundamental. “Tem timbre que não se encaixa com o personagem, não contribui para a realidade dele na ficção. Os personagens não crescem, não saem da idade física e mental deles. As pessoas precisam trabalhar recursos como grave, agudo, falsete e ritmo”, destaca. Além da voz, ser “bom de ouvido” faz a diferença. “Você precisa observar e ter bagagem. Criar um arquivo de ritmos e sotaques”, aconselha David.

Os personagens de humor são os que mais exigem do dublador. Contudo, independente da natureza do personagem, algumas dicas são básicas. “A voz precisa vir do corpo todo. Não é leitura, é interpretação. A leitura é apenas o trilho para acertar a dublagem em cima do tempo da voz original. A predisposição é essencial. O ator ou dublador não pode estar amarrado, tímido, ele precisa acreditar que não existe limite para a dublagem. Tem que estar solto de qualquer coisa que lhe prenda”, explica.

Para chegar a isso, o treino é essencial. O processo começa com um aquecimento vocal e jogos cantados. Depois se inicia um trabalho leve de corpo. “O jogo cantado é lúdico, diverte, se isso não estiver no corpo, não vai para a voz. O dublador tem uma imagem na frente dele sendo processada, com ações e emoções desse personagem. O dublador coloca a voz em cima, tem que ter entonação, interpretação, pausas respiratórias”, esclarece o instrutor.

A terceira etapa é a leitura de texto e o improviso. “É tudo experimentação. Você vai experimentando várias vozes e escolhe a personalidade que quer colocar nos personagens. Uma hora uma voz te convence”, diz David. Entrosamento, diversão, criatividade e improvisação compõem os bastidores. “É muito divertido. Temos que acompanhar a imagem de acordo com o que ela pede. Gostei muito da experiência”, diz Mário Saldanha, 62 anos, participante da oficina.

De acordo com Andrei Miralha, coordenador do Laboratório de Animação do Curro Velho, uma nova oficina está programada para a segunda quinzena de agosto. “Queremos fomentar a dublagem na região. Com o desenvolvimento da animação, é provável que a gente precise cada vez mais de dubladores. As oficinas possibilitam conhecer pessoas e experimentar”, ressalta Andrei. O Laboratório pretende criar um banco de vozes a fim de indicar pessoas para trabalhos de dublagem.

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