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Canções de computador para dançar

Fotos: DivulgaçãoESPERANÇA BESSAEditora do VocêMuita gente, quando ouve Wilson Sideral, pensa que tem um vínculo com o lendário Wilson Simonal. Não, não tem. A cara não nega que é irmão de Rogério Flausino, vocalista do Jota Quest, mas também não tem nada

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Fotos: Divulgação
ESPERANÇA BESSA
Editora do Você

Muita gente, quando ouve Wilson Sideral, pensa que tem um vínculo com o lendário Wilson Simonal. Não, não tem. A cara não nega que é irmão de Rogério Flausino, vocalista do Jota Quest, mas também não tem nada a ver. Apesar do suingue cheio de soul a la Simonal, e do carisma de família, Sideral tem um trabalho só seu. E agora chega a um novo disco ainda mais maduro, mais dançante, e mais certo de onde quer chegar.
“Canções de Computador” desnuda o artista. Ele assina a produção musical e expõe ali seu conhecimento musical, o mesmo capaz de produzir hits dados à banda do irmão, como “Na Moral”, “Fácil” e “Já Foi...”. Na capa, exibe com orgulho o filho, símbolo dessa geração hiperconectada que aprende a clicar antes de falar. Pode-se dizer que está inteiro neste trabalho.
O nome do disco não é ao acaso. Sideral explora ao extremo as possibilidades tecnológicas e de conectividade, desde a forma de gravar, até a forma de divulgar e de interagir com o público. Parece chover no molhado, mas não: ele provoca, mexe com conceitos que parecem já estabelecidos e, mais ainda, faz dançar, muito, quem não resiste a toda aquela cadência que traz na raiz um quê de música black, soul, blues. Supersimpático, ele concedeu entrevista exclusiva ao Você.

Você é um cara totalmente tecnológico?
Cada dia mais é impossível estar longe da tecnologia. Quis falar sobre essa coisa da relação interpessoal, que está muito ligada ao computador. É algo que diz respeito a todos nós, que estamos conectados o tempo inteiro, no celular, no computador. O disco não é uma crítica a esse hábito, mas um retrato desses tempos em que a gente vive.

Inclusive na música essa tecnologia toda faz toda a diferença...
Isso está causando uma grande revolução na música, você já está lançando projetos e compartilhando com as pessoas. Tem um feedback imediato. Você coloca um clipe no YouTube e, se gostarem, vão compartilhar. Você sente o resultado na hora. Não era aquela coisa forçada que acontecia antes no mercado, quando você não existia para o mundo se não estivesse na TV, na rádio... Hoje as pessoas “existem” e é fácil encontrar muitas bandas com trabalhos legais nas redes, gente no mercado independente com trabalho muito bacana, que começa que começa na rede e depois acontece na grande mídia. Sem falar que a tecnologia deu acesso para que muitas pessoas pudessem produzir suas próprias coisas sem nem sair de casa.

Como você mesmo, né? Parte do disco mantém sons que você gravou originalmente em casa.
As primeiras experiências que fiz de sonoridade foram em casa e gravei no telefone celular. Antes de ir ao estúdio, eu já tinha um conceito claro. Colocava batidas para sentir o melhor tom, o melhor andamento, e quando fui gravar já estava tudo muito claro. Seria impossível sem a tecnologia. Hoje todo mundo tem placa de áudio, software de gravação.

Mas ao mesmo tempo você soa analógico, porque busca sonoridades de soul, black music, música de raiz que remonta a um passado....
O disco faz essa ponte. O meu trabalho em si busca referências bem lá atrás para essas músicas que a gente ouviu muito, de black music, blues, rock, a nossa MPB. Acho que a gente vai filtrando esses elementos, vai misturando as impressões que a gente tem do mundo. No disco falo da minha família, da minha mulher, de coisas que vejo na TV, no dia a dia, isso é original. Tem esse toque retrô, mas também é um som atual, e isso tudo consegue conviver. A música te dá essa possibilidade.

Voltando a falar da conectividade em rede, para fazer jus ao tema do disco, você primeiro o lançou na internet e pode experimentar toda esse interação direta com o público a qual fez referência no início dessa conversa. E qual foi a reação da galera?
Eu estou muito contente. A primeira coisa que fiz quando o trabalho ficou masterizado foi apostar muito no formato digital. Coloquei para audições gratuitas no Soundcloud e de lá para cá os números são impressionantes. Tive mas de 100 mil plays do disco. Mas teve mais. No Palco MP3, uma plataforma muito bacana e mais popular, vinculada ao portal Terra, foi mais ainda. Só a primeira faixa teve mais de 200 mil audições. Fiquei muito impressionado, tem gente do Brasil inteiro ouvindo. Só depois das audições gratuitas a gente colocou para comercializar no meio digital com o iTunes e agora, bem depois, estamos lançando o disco físico com um lance mais para colecionador mesmo, desde a brincadeira com o encarte, o poster que vem junto, os óculos 3D para sacar a arte tridimensional...

Para encerrar, vamos falar da capa do disco? Seu filho é um fofo. Como foi feita a imagem?
Esse garotinho chegou trazendo só coisa boa. Ele assiste todo dia ao meu clipe na frente do computador e diz “papai, vídeo”. Tem uma bateriazinha e, com um ano e meio, já fica o dia inteiro tocando. É de família mesmo (risos). A gente cresceu em uma família apaixonada por música e vai passando isso de geração para geração. Esse disco é uma homenagem a ele. Vai ser legal quando ele tiver 15, 16 anos, e olhar para traz e disser: “Pow, olha eu na capa do disco do meu pai”.

E ele ainda simboliza toda essa questão de nova geração que já nasce conectada, não é?
Eu tinha tido cinco opções de capa, mas a gente sempre fica meio medroso sobre como escolher isso. Quando vi ele com aquele fone, tirei a foto do meu celular, e ele estava exatamente ouvindo meu CD. Na mesma hora eu disse: é isso que quero, é isso que eu quero dizer! A música está em completa evolução, a nova geração está vindo, as novidades não param de acontecer. Esse disco é muito do que eu sou, da minha verdade. Estou curtindo um momento de família, com meu filho e, ao mesmo tempo, apresentando estas novidades ao público. Minha mulher inclusive está grávida de novo.

Então você está ferrado, porque vai ter que dar uma capa para o outro bebê que vem por aí, senão isso vai virar um trauma de família (risos)...
É, né? Arranjei um problema. Vou ter que fazer “Canções de Computador 2” (risos).

(Diário do Pará)

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