A leitura obrigatória é um tópico importante na lista de competências de quem almeja uma vaga no ensino superior. Em muitos casos, é nesse momento que autores portugueses e brasileiros são apresentados a alunos do ensino médio. Mais do que desfrutar de bons textos, esses estudantes precisam desenvolver habilidades como entender o texto literário da sua e de outras épocas como reflexão sobre a relação ser-mundo, possível de ser atualizada, recontextualizada, e valorizar a dimensão estética da obra literária. Muitos têm, nesse momento, o primeiro contato com a literatura, apesar de desconhecerem grande parte dos autores paraenses que são deixados à margem dos programas de vestibular.
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A Fundação Universitária para o Vestibular - Fuvest, responsável pela seleção da USP, e a Comissão Permanente para os Vestibulares - Comvest, que faz o vestibular da Unicamp, dois dos maiores vestibulares do país, unificaram a lista de livros cobrados no vestibular. A leitura obrigatória será a mesma em 2014 e 2015 e a lista não tem autores paraenses. José de Alencar, Machado de Assis, Eça de Queirós, Graciliano Ramos, Jorge Amado e Carlos Drummond de Andrade são alguns dos nomes de destaque.
“A literatura paraense não tem visibilidade nos outros estados, o Pará é um estado periférico em termos de circuito cultural. Os nossos bons autores não têm publicações regulares. Não há política cultural de incentivo para este tipo de produto cultural que não é de massa. Temos poucas editoras paraenses e que sobrevivem com dificuldade. Os museus, por exemplo, não estão no trânsito dos grandes acervos. E a literatura como obra de arte também padece do mesmo problema”, pontua o professor Wenceslau Alonso Júnior, chefe do Departamento de Língua e Literatura e professor do curso de Letras da Universidade do Estado do Pará (Uepa).
A Uepa é a única instituição pública dentro do Estado que mantém uma lista de leituras obrigatórias para aprovação nos vestibulares (o estudante que desejar pleitear uma vaga na Universidade Federal do Pará - UFPA deverá se inscrever no Enem e o programa não possui leituras obrigatórias). Na lista dos Processos Seletivos 2015 da Uepa, constam os nomes de dois paraenses: Dalcídio Jurandir, com a obra “Primeira Manhã”, e os poemas de Max Martins. A escolha é feita por uma comissão com base em alguns critérios. “A qualidade do texto é o primeiro critério avaliado, independente de qual estado é o autor. O segundo critério é o tipo de literatura. Temos que escolher leituras portuguesas e brasileiras, estas últimas com um percentual maior”, explica Wenceslau.
O critério mais expressivo é a valorização da literatura local. “Em processos seletivos de fora, os autores paraenses tendem a ser menos prestigiados no programa. Então é uma obrigação nossa dar destaque para eles, mas não basta ser autor paraense. Tem que ser bom”, acrescenta. Antes da escolha, a Uepa também faz consulta às editoras para avaliar se há a quantidade suficiente de livros para atender o mercado. “Escolhemos sempre publicações de domínio público e 80% delas podem ser conferidas pela internet”, completa o professor.
Na lista dos Processos Seletivos 2016 da Uepa, estão dois novos paraenses: João de Jesus Paes Loureiro, com o “Artesão das Águas”, e José Veríssimo - que, aliás, poucos sabem que é natural do município de Óbidos - com “Cenas da Vida Amazônica”. “Temos a política de mudar as leituras de três em três anos. As questões precisam ser renovadas do ponto de vista didático. Também é importante incentivar o professor a ler mais obras e fazer essa seleção para dar espaço para outros autores”, pontua o professor.
As instituições de ensino particulares também têm prestigiado os escritores locais. A Unama já tem em sua lista as mesmas obras de Veríssimo e Paes Loureiro que serão assumidas pela Uepa. Já o Cesupa tem “O Rebelde”, de Inglês de Souza, e “Primeira Manhã”, de Dalcídio Jurandir.
(Diário do Pará)
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