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Estudantes ainda sentem estranhamento com leituras

Os estudantes Janice Santos, de 19 anos, e Emerson Corrêa, de 20, correm contra o tempo para cumprir todo o conteúdo programático do vestibular, o que inclui as polêmicas “leituras obrigatórias”, e a opinião dos dois sobre a importância delas diverge.

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Os estudantes Janice Santos, de 19 anos, e Emerson Corrêa, de 20, correm contra o tempo para cumprir todo o conteúdo programático do vestibular, o que inclui as polêmicas “leituras obrigatórias”, e a opinião dos dois sobre a importância delas diverge. Para Janice, a forma como a literatura é exigida no vestibular é “defasada”, mesmo com a inclusão de novas obras a cada três anos.

“O vestibular hoje já tem bastante material relacionado a atualidades e leituras - de jornais, por exemplo. E acho que as leituras como Machado de Assis e as obras antigas de autores paraenses não se encaixam nisso, parecem defasadas. Também não acredito que essa obrigação de ler faça com que os alunos se interessem por literatura. Quando a obrigação se encerra, a maioria nunca volta àquela obra e muito menos, passa a ler mais do que antes do vestibular”, declara a estudante.

A opinião de Janice faz de Emerson, então, uma minoria. Ele está tentando vestibular pela segunda vez. Na primeira, abriu mão de ler os livros indicados, não passou e percebeu que se tivesse lido, sua pontuação podia ter sido suficiente para passar – ainda que ele busque uma vaga em cursos de Ciências Exatas. “Antes de ler essas obras, eu tinha uma certeza: a de que não gostava de literatura, que minha área era Exatas. Depois, percebi que gosto e muito de alguns autores”, diz o rapaz.

O que Janice chama “defasado”, Emerson afirma tê-lo surpreendido. Seu favorito foi “O Rebelde”, de Inglês de Souza. “Hoje acho essas leituras algo bom e necessário. No entanto, é muito difícil para alunos que já saíram do ensino médio e precisam estudar o material de três anos em apenas um. Os cursinhos pré-vestibulares não dão conta de trabalhar com a gente obra por obra, e algumas são difíceis de ler, quando não se teve antes nenhum contato com teoria literária. Até agora não entendi uma palavra de Clarice Lispector”, admite Emerson.

A professora de Língua Portuguesa para pré-vestibular e convênio Leidiane Sousa afirma que os dois alunos apenas se encontram em tal situação porque a “obrigatoriedade” deveria existir desde a base de seus estudos. “As obras que eles leem hoje, deveriam ler desde o processo de formação de leitor no ensino fundamental, para não vir tudo só no ensino médio. Se tivessem lido ‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’, de Machado de Assis, no fundamental, agora só precisariam fazer uma revisão, uma análise mais aprofundada”, lamenta.

A ausência desse contato inicial gera, segundo a professora, “leitores de ocasião”, que apenas leem resumos para fazer uma prova. Como exemplo, ela cita o ensino da matemática. “Nela, você aprende primeiro a base (soma, subtração, multiplicação e divisão), depois vai para lógica e a matemática financeira. A leitura também tem que ser assim, ser obrigatória desde o fundamental”, finaliza.

(Diário do Pará)

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