Baseado em fatos reais e com um tema atualíssimo, Salomão Larêdo está preparando a sua obra de número 40. O tema é um casamento homossexual entre homens que aconteceu em Cametá, na década de 1960. A editora que toca o projeto é do filho de Salomão, Filipe Nassar Larêdo, e que vai custear toda obra, incluindo o processo editorial, artístico e gráfico. O livro já está em fase de análise dos textos pela editora, mas ainda deve passar pela revisão, edição e capa para que, então, chegue às mãos dos leitores em outubro, com lançamentos previstos para Belém e Cametá.
“Este livro aborda não apenas o tema da homoafetividade, mas todas as nossas questões sociopolíticas atuais. O fato aconteceu e foi muito divulgado pela imprensa na época. Fiz pesquisa nos jornais que publicaram o fato, ouvi pessoas que viram. É um romancede ficção, tendo como base o fato”, explica o autor.
Larêdo sabe que o tema é de importante discussão, mesmo não sendo um assunto novo. “O tema da relação homoafetiva agora toma conta da dialética. Naquela época, o casamento entre pessoas do mesmo sexo não podia acontecer. Trato o assunto com muita responsabilidade e respeito como sempre trato a literatura e minha preocupação cidadã em respeitar a livre opção das pessoas, tendo sempre, pelo ser humano, carinho e compreensão. O fato de acontecer na Amazônia tocantina, no interior de Cametá, e ter tido grande repercussão é que me levou a pensar e imaginar a ficção que escrevi”, justifica.
Após escrever tantos livros, Larêdo busca sempre se reinventar. “Os leitores podem esperar, além de um tratamento responsável pelo tema, um texto novo, uma nova maneira de ficcionar. Imagino que este seja o texto que traz o meu amadurecimento como escritor de ficção, que gosta de narrar, contar histórias, de inventar, discutir, brincar com o leitor”, antecipa Larêdo, que acredita que este livro será inovador e único.
“É um texto totalmente diferente de tudo que já escrevi. Pensei, analisei e experimento uma maneira nova de narrar, de escrever, de inventar, de contar histórias. O livro tem muitos personagens que circulam em meio ao tema com suas próprias características”, completa.
As histórias do escritor retratam sempre de forma muito interessante os temas da Amazônia, enquadrando-os como parte importante do mundo, e tem um segredo: conseguem envolver os leitor com suas palavras e fisgá-los com seus enredos.
“Trato de temas da minha gente, do meu povo, da minha região e isso, também, naturalmente, se amplia para outras regiões, para o Brasil e para o mundo, tornando-se, pelos temas abordados, assunto de interesse universal. A Amazônia faz parte do universo. Não preciso estar em Londres e de lá escrever para ser universal. Com meus textos procuro sempre seduzir o leitor e aposto que quem começa a ler um livro meu logo fica preso pelo enredo, pela maneira gostosa, simples de escrever, pois não escrevo para intelectual, escrevo para leitor, para o povo, sempre valorizando o que é nosso, utilizando o sotaque paraense, o dialeto cametaense, tudo tão rico e quase não lido, não estudado”, esmiúça o autor.
Recentemente ele ousou e promoveu sua própria feira do livro em uma livraria, por acreditar que suas histórias são bem aceitas pelo público e capazes de promover cada vez mais o senso de valorização do que é da terra. “É preciso valorizar ainda mais os nossos artistas, de todas as vertentes, nossa cultura, nossa gente, nossa região tão grande, tão bela, tão importante, tão rica de povo, tão pobre, e ao mesmo tempo tão desconhecida, tão pouco estudada e pesquisada. Por isso, levam toda a nossa riqueza daqui e não dizemos nada. Temos que mudar isso urgentemente e por isso também trabalho com a formação do leitor, com a adoção de bibliotecas, de livros em toda parte, para que o acesso seja o mais democrático possível”, conta.
Sobre o fato de sua nova obra ser editada pelo filho, ele comemora. “O Filipe é um amante dos livros e aprendeu a editá-los. A sua editora, a Empíreo, é um caminho que decidiu seguir na busca de publicar livros apaixonantes”, orgulha-se. Além do novo livro, a parceria com o filho pode trazer a reedição de obras do autor que estão esgotados e que o público anseia que sejam relançadas.
(Diário do Pará)
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