Princípio motor de toda e qualquer vida, a água tem tem sido vista e colocada como essência criadora, em processos onde estão presentes novas vibrações de construção no mundo, incluindo aí o mundo das artes. Com nome batizado pelo sânscrito, “jalam” significa - literalmente – água, e é através dela que o projeto “Jalam das Artes” busca aliar o equilíbrio homem-artes-natureza, numa iniciativa inédita por aqui, reunindo processos de imersão cênica, alimentação natural, criatividade e, claro, autoconhecimento.
“O artista é aquele que vem de dentro. Ele está preocupado em levar o belo para as pessoas apreciarem e na permacultura é a mesma coisa: levar o melhor que vem de dentro. Então, nada mais natural do que colocar um processo artístico dentro da natureza”. A explicação do terapeuta holístico Yash Luna evidencia a relação consolidada no projeto “Jalam das Artes”, realizado dentro do espaço Jalam das Águas, criado por ele ao lado da artista cênica Tatiana Benone. No sítio, localizado em Benevides, os artistas participam de oficinas de meditação, circo e dança, em módulos de imersão divididos em oito etapas, com duração de quatro dias cada. No processo, atores, bailarinos, circenses, arte educadores e dançarinos vivem como num retiro comunitário, saindo completamente de toda a urbanidade e imersos em cada vivência criativa proporcionada pelo projeto.
Contemplado no Programa Amazônia Cultural do Ministério da Cultura, o projeto oferece cursos de forma inteiramente gratuita. Cada módulo inclui a hospedagem, alimentação e aulas com profissionais de diversas áreas. De acordo com Yash, o único compromisso do participante é o de se tornar multiplicador. “A gente quer dar o máximo possível para que a pessoa venha para cá inteira, sem nenhuma preocupação, e aproveitar todo o tempo e conhecimento que ela receber. A contrapartida é que ela repasse esse conhecimento”, ressaltou.
O módulo de dança acrobática, vivenciado por 22 pessoas, trouxe a artista Cláudia Millas, da Unicamp. Pela primeira vez em Belém, “Não vim cheia de verdades, vim para encontrar esse artista aqui da Amazônia, saber o que ele está buscando e onde eu poderia contribuir”, disse. Suas aulas incluíram o estudo de acrobacias de solo, em atividades práticas e de intensa preparação corporal.
Por meio de jogos de improviso, os artistas trabalharam pontos lúdicos e criativos, dispostos a aprender novas técnicas e trocar experiências. Foi o caso de Marina Trindade, artista da novíssima geração de circo em Belém. Para ela, a vivência é uma oportunidade de imergir dentro de si e aflorar a criatividade. “O fato de terminar uma aula e não precisar voltar para casa, não pegar estresse de trânsito, já é uma grande diferença. Aqui a gente está dormindo e acordando todos juntos, é realmente um deslocamento para viver a arte”, acredita.
Com mais três módulos de formação continuada pela frente, o “Jalam das Artes” terá uma culminância com a trupe agregada no projeto. Segundo Tatiana, em outubro haverá uma apresentação dentro do próprio espaço do sítio e outra em Belém.
“O que nós queremos é iniciar não um movimento, mas fortalecer a expressão do circo e firmá-la profissionalmente no cenário artístico da cidade”, frisa.
DESCUBRA-SE
A próxima oficina do Jalam das Artes será de Introdução à permacultura (junção holística entre práticas agrícolas tradicionais e ideias ambientais inovadoras), entre os dias 31 de julho e 3 de agosto.
As inscrições podem ser feitas até o dia 21, pelo site jalamdasaguas.org.
(Diário do Pará)
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