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Animações paraenses participam do Anima Mundi

Otoniel Oliveira acredita estar vivendo um novo momento. Depois de ter um trabalho selecionado para a mostra não competitiva do “Anima Mundi”, segundo maior festival de animação das Américas, ele dá um novo passo e promete voos ainda mais altos. “Trab

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Otoniel Oliveira acredita estar vivendo um novo momento. Depois de ter um trabalho selecionado para a mostra não competitiva do “Anima Mundi”, segundo maior festival de animação das Américas, ele dá um novo passo e promete voos ainda mais altos.

“Trabalho com quadrinhos há mais de dez anos, já fiz cinema, filmes e animações, venho trabalhando como animador e artista de storyboard de outras animações paraenses que também já foram selecionadas para o festival, mas esta é a primeira vez que vejo um trabalho sob minha direção ser selecionado. A escolha revela que a crítica vê qualidade na minha obra e me faz pensar em novos rumos”, diz, esperançoso, o artista. “Se a crítica nos reconhece, percebemos que o trabalho tem qualidade mercadológica e podemos produzir aqui para a TV do Brasil e também do mundo”, aposta Otoniel.

Este ano não é só Otoniel que está cheio de orgulho. Além de sua animação, “Icamiabas na Amazônia de Pedra”, “Rite of Fire”, dirigida por Mário Aires, está também no festival, na categoria “Olho Neles”, destinada a novos artistas. E não paramos por aí: o Pará emplacou também a animação “Para Vler Poesia”, dirigida por Andrei Miralha e Marcílio Costa, que nos representa na categoria “Curtas-metragens Infantis”.

São animações com perfis diferentes e que não estão em mostras competitivas, mas que levam o Pará ao festival. Em “Icamiabas Na Amazônia de Pedra”, Otoniel explora super-heroínas diferentes, amazonas que salvam as pessoas da cidade de Belém. “As protagonistas são mulheres indígenas, heroínas, e temos projeto de transformá-las em uma série para televisão com episódios de 11 minutos”, diz Otoniel, sobre a animação resultante do edital CulturAnimação, da TV Cultura do Pará, assim como “Para Vler Poesia”.

“A animação mostra um garoto que apresenta o seu olhar modificado sobre o mundo a partir de coisas que estão à sua volta, como um barco de miriti”, explica Andrei Miralha.

O Pará invadiu a tela do Anima Mundi e a animação invadiu as terras paraenses. Há dez anos, quando começaram, os cineastas paraenses estavam pisando em terreno desconhecido, mas acreditavam que as animações teriam seu lugar reconhecido. “Quando iniciamos anos atrás, éramos os precursores e descobrimos fazendo. Agora já vemos que uma nova geração chega aproveitando essa experiência e interessada neste tipo de trabalho. Gente que quer viver de animação, o que é muito legal. Criamos um referencial que não existia. Além disso, foi possível viabilizar acesso a capacitação. Hoje ministro oficinas de animação, mas antes não tínhamos nada disso”, relembra Andrei, que conhece bem esse mercado em desenvolvimento e sabe o quanto cada conquista dele abre caminho para mais artistas paraenses.

E com trabalhos mais reconhecidos e mais pessoas interessadas, e melhor, sendo capacitadas para fazer animações, os cineastas estão vendo o sonho de trabalhar com animação tomar forma e estão formalizando um estúdio, transformando a paixão em trabalho. “Com a criação do Iluminuras Estúdio de Animação, formado por mim, pelo Petrônio Medeiros e o Otoniel Oliveira, estamos abrindo caminhos para a criação de séries de animação para TV, e abrindo para o mercado profissional. Agora, durante o festival no Rio de Janeiro não vamos só ver os nossos filmes serem exibidos, mas conhecer estúdios que já trabalham assim e trocar experiências com outros profissionais”, planeja Andrei.

E o caminho para isso está em assumir a própria cultura, acredita Andrei: “O que temos feito é uma abordagem da cultura vista de dentro da Amazônia, o nosso olhar do mundo daqui, oferecendo a oportunidade do paraense se ver e se reconhecer. Para este novo projeto do estúdio, vamos buscar uma linguagem mais universal, mostrar os nossos diferenciais e valores para um universo maior de pessoas”, finaliza Andrei.

(Diário do Pará)

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