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Jovens rodam o mundo por novas experiências

A internet e a televisão nos permitiram conhecer o mundo todo através de uma tela. Mas não possibilitam que o ser humano vivencie de fato os costumes e filosofias de vida das pessoas em tantos outros países, que experimente outras culinárias, sinta che

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A internet e a televisão nos permitiram conhecer o mundo todo através de uma tela. Mas não possibilitam que o ser humano vivencie de fato os costumes e filosofias de vida das pessoas em tantos outros países, que experimente outras culinárias, sinta cheiros diferentes, veja outras paisagens com os próprios olhos... Em busca dessas experiências sensoriais e de vida, existem pessoas que largam mão de tudo para por o pé na estrada em busca de novas histórias. Alguns, inclusive, trazem isso literalmente marcado na pele e é a esses desbravadores de novos mundos que o dia de hoje, 25 de julho, é dedicado.

Mas para falar dos viajantes é preciso esclarecer algo importante: eles não são turistas e jamais aceitam ser chamados assim. Para eles, turista é o que “foge” e viajante é o que “busca”. O turista foge da rotina para descansar, vê a viagem como um spa de relaxamento. Em geral, repete os mesmos lugares a que já foi, de que já gosta e foca seus afazeres em pequenos prazeres, como bebidas, festas e compras.

“O viajante não está lá para descansar, ele está lá para descobrir, para desbravar, para observar, para conhecer, para engolir a cidade com os olhos, para respirar o ar, para sentir os cheiros, para ouvir os sotaques, para conhecer os pontos famosos da cidade e também os mais obscuros. Ele quer andar incógnito. O viajante procura sentir na pele como seria se tivesse nascido naquela cidade, se pertencesse àquele povo”. Essas palavras apaixonadas são de Raquel Fernandes, de 22 anos. Ela viaja duas vezes ao ano e possui uma lista invejável de países onde já esteve. Alemanha foi um dos primeiros carimbos no passaporte.

“A Alemanha é a minha paixão, eu confesso. Por isso que tenho a localização de uma cidade de lá tatuada em mim”, explica ela sobre a tatuagem que leva nos ombros mostrando a coordenada geográfica da cidade de Dresden, capital do Estado germânico da Saxônia. Outra tatuagem de Raquel traz a expressão alemã “Wanderlust”, cujo sentido pode ser traduzido como “sede por viajar”. Uma sede nunca saciada. Em ordem alfabética, afirma Raquel, ela sonha em ir do Afeganistão ao Zimbábue. “Ver como as pessoas vivem em realidades tão diferentes, ao mesmo tempo em que agem de forma tão parecida, é o mais gostoso de viajar. O que mais me marcou até agora foi o Marrocos. É uma cultura difícil de se ambientar. Outro país que me marcou e surpreendeu foi o Peru, um dos lugares em que meu marido e eu fomos mais bem tratados no mundo. Povo simpático, prestativo, honesto e interessante”, finaliza ela.

O pequeno apartamento onde Raquel vive com o marido é um pouco de cada parte do mundo que conheceu, incluindo bebidas, quadros, tapeçaria e fotos - muitas fotos. Algumas vezes acompanhada do marido – que também é fascinado por viagens – e em outras, sozinha. Mas o sorriso está em todos os registros de sua passagem por cada lugar: Argentina, Estados Unidos, Espanha, Gilbraltar, Hungria, Holanda, Itália, Inglaterra, Letônia, Marrocos, Malta, Peru, Paraguai, República Checa, Suécia e Uruguai. Um roteiro e tanto.

Hoje, Raquel afirma ter a doença que ela chama de “Síndrome do Retorno”, por isso ainda sonha em um dia viver de suas viagens. “Há sempre um sentimento nostálgico imediato na volta para casa. Não sinto aquela sensação de ‘viajar é bom, mas voltar para casa é ainda melhor’. Há tanta coisa para ver, para viver e experimentar no mundo, que passar a maior parte da vida em um pequeno espaço, em um bairro, em uma cidade ou mesmo em um país me parece limitado demais”, analisa.

VIAJAR BASTA?

Júnior Alves é bancário, tem 28 anos e adora viajar, mas para ele é necessário acrescentar um detalhe importante à vida de viajante: uma moto. Apaixonado pelas viagens sobre duas rodas – iniciadas dentro do território paraense, incluindo o arquipélago do Marajó –, há cerca de dois anos ele iniciou um projeto: viajar uma vez por ano em direção a outros estados brasileiros, a cada ano indo um pouco mais longe, sempre seguindo pelo litoral do país, até chegar ao outro extremo, o Rio Grande do Sul.

No primeiro e segundo ano de viagens, ao lado de seu irmão mais velho, Vítor Alves, de 29 anos, ele alcançou as cidades de São Luís e Alcântara, no Maranhão, Fortaleza, no Ceará, e Teresina, no Piauí. “Comparado aos outros meios, viajar de moto é o mais solitário e cansativo. É para quem gosta de moto, da sensação do vento em cada curva, de acompanhar as mudanças na paisagem. Não é só o destino o que importa, mas conhecer o percurso”, explica.

Como todo bom viajante, ele já se prepara para o seu terceiro roteiro, marcado para setembro, e a meta é a cidade de Natal, capital do Rio Grande do Norte. “Isso é algo que vem das viagens de moto. Quando se chega a um ponto, a vontade é sempre ir ainda mais longe da próxima vez; e quando você alcança o destino, o prazer é ainda maior... É olhar e saber quantos quilômetros de estrada a gente deixou para trás conhecendo a cultura de cada lugar por onde passou”, diz.

PLANEJAMENTO É ESSENCIAL

Para estes jovens viajantes, cada vez que o lar é deixado para trás, é como iniciar uma jornada de autoconstrução, de evolução pessoal. Mas tudo isso exige disciplina, planejamento e experiência. A grande dica então é planejar, e esta é a fase mais exaustiva e longa, mas que ajuda a garantir uma boa viagem.

“Sou mochileira com rodinhas (risos). Viajo barato para poder viajar mais. Os confortos são pontuais: um restaurante caro, uma balada cara, para sentir uma experiência exclusiva. Isso não dispensamos. Mas hotel, transporte, passagem aérea, é tudo sempre o mais econômico possível”, diz Raquel. Economia essa que se estende até na rotina de casa, para que os tours por aí sejam possíveis ao bolso.

Para quem viaja de moto – ou carro – como Júnior, o planejamento deve ser ainda mais detalhado, prevendo rotas, clima, paradas e a segurança ao longo do percurso. O viajante precisa ter em mente o que busca, afinal, cada pessoa possui recursos financeiros, visões de mundo e objetivos diferentes ao colocar a mochila nas costas. “E aí está o segredo para fazer uma boa viagem. É você saber o que quer e planejar de acordo com suas aspirações”, ensina Raquel.

(Diário do Pará)

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