plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 23°
cotação atual R$


home

_
_

Paraenses relembram encontros com Ariano Suassuna

Ariano Suassuna gostava de vir a Belém. Esteve diversas vezes na Feira Pan-Amazônica do Livro. Gostava de vir nos enriquecer com seu dom de contar histórias. Cativou jovens, que estavam sempre presentes nas palestras, ou bate-papos, termo mais adequado

twitter Google News

Ariano Suassuna gostava de vir a Belém. Esteve diversas vezes na Feira Pan-Amazônica do Livro. Gostava de vir nos enriquecer com seu dom de contar histórias. Cativou jovens, que estavam sempre presentes nas palestras, ou bate-papos, termo mais adequado para definir esses encontros em que ele lotava auditórios com pessoas ávidas por entender melhor quem era o homem por trás de histórias tão instigantes.

“Aprecio Suassuna enquanto pessoa, que pude conhecer pessoalmente em uma de suas passagens pela Feira do Livro. Criatura agradável e simples e que tinha um dom fascinante de encantar a plateia. Assim como ele era uma atração ao escrever, era ao falar”, relembra a doutora em letras Amarílis Tupiassú, que teve a felicidade de acompanhar o mestre Suassuna em Belém e conhecer um artista além de sua obra.

O jornalista Fábio Nóvoa é mais um destes afortunados que conheceu o escritor de perto, enquanto trabalhava como assessor de comunicação durante a feira. “Sua personalidade espontânea e engraçada chamava atenção. Ele gostava muito de contar histórias e como acabou voltando a Belém em outras oportunidades, as repetia como se fossem inéditas e ainda assim nos envolvia”, conta Fábio que é um fã de Suassuna e que se orgulha de ter um livro autografado por ele e de tê-lo salvado de uma legião de fãs.

“Os encontros que promovíamos entre ele e seus fãs eram sempre lotados, acredito que porque ele envolvia as pessoas com sua maneira sempre peculiar de exaltar a cultura nordestina. Valorizava as palavras e expressões tanto nos seus textos quanto quando falava em público. Quando ele abria a sessão de autógrafos, filas imensas se formavam. Em uma das última vezes que esteve aqui, já mais idoso, o empresário dele pediu que não abríssemos para autógrafos para não cansá-lo. Fizemos um cordão humano de isolamento, como se faz quando as grandes personalidades aparecem.

UM AUTOR NO CORAÇÃO DOS JOVENS

A professora Amarílis lembra-se com detalhes de uma conversa que teve com Suassuna sobre uma passagem de seu livro “Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta” e juntos descobriram o quanto a cultura oral popular pode atravessar fronteiras. “Suassuna retrata neste livro uma peleja entre um escravo muito esperto e seu dono e me chamou a atenção, pois eu conhecia uma senhora em Anajás que cantava a mesma história. Disse para ele que conhecia essa história como uma memória de minha infância e ele me disse encantado que não sabia que existia essa canto e pediu que eu cantasse para ele. Foi maravilhoso e a prova do que ele acreditava, que a cultura genuinamente popular é multiplicada nas vozes da cultura de um povo”, alegra-se a professora.

A crença de Suassuna nas histórias e cultura do seu povo , do povo brasileiro, estavam ali em seus livros e em seu coração, muito antes da moda de valorização da cultura local se disseminar. “Ele teve essa sacada de valorizar e dar configuração artística a essa cultura,tinha na fala essa essencialidade brasileira”, exalta Amarílis. “Sem dúvida o lado humano da literatura que ele fez era o que chamava atenção de todos, principalmente os jovens, não se sentia o tempo passar quando estávamos ouvindo suas histórias”, conclui a professora e admiradora de Suassuna.

A jornalista Waleiska Fernandes, quando soube que Suassuna estava doente, publicou uma memória de sua adolescência, quando descobriu a obra do autor. “Eu tinha 14 anos e fui convidada para viver Nossa Senhora numa peça da Igreja. Achei engraçado, porque era muito questionadora e metida a ser de esquerda, e justo eu ser convidada pelo professor de catecismo para viver a mãe de Jesus. Assim que ele me deu a cópia do roteiro, me apaixonei. O roteiro do ‘Auto da Compadecida’, tal qual Ariano escreveu, é incrível, encantador, surpreendente. É claro que eu queria ser aquela Maria, que era mãe de um Jesus negro e que se emocionava com as orações cheias de piada de um sertanejo como o João Grilo”, relembra, orgulhosa, a jornalista.

Depois ela mergulhou em outros Suassunas. “Gosto muito de outros textos de peças como ‘‘O Castigo da Soberba’ e ‘O Santo e a Porca’. Entre os romances, gosto muito de ‘O Rico Avarento’, também ambientando no sertão nordestino”, revela a jornalista.

A genialidade do autor em retratar assuntos de sua região e suas motivações revolucionárias foi o que definitivamente encantou a leitora Waleiska ainda jovem. E é por isso que ela entende por que os jovens se apaixonam tanto por ele. “A irreverência sem perder a sensibilidade. A forma como critica fortemente o coronelismo brasileiro, por exemplo, com um humor que, apesar de muito inteligente, faz-se entender por qualquer sertanejo que vive aquela realidade. E ele sempre fez tudo isso sem agredir o povo protagonista de suas obras. Coisa para gênio. Que jovens não gostam de ter entre seus ídolos arautos da boa literatura que ainda guardam motivações revolucionárias? Ariano nunca descansou do sonho socialista de um mundo mais igualitário. Isso não é o que sonham tantos jovens?”, questiona a jornalista.

(Diário do Pará)

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em _

    Leia mais notícias de _. Clique aqui!