Um recorte do Rio de Janeiro em um dos pontos turísticos mais encantadores de Belém. É o que promete a exposição “Mostra Carioca: a Impureza Como Mito”, que chega à Casa das Onze Janelas neste sábado e segue até o dia 21 de setembro. Com curadoria de Luiz Camillo Osório e Marta Mestre, ambos do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ), a mostra apresentará 56 obras de artistas brasileiros que têm a capital carioca como inspiração de seus trabalhos.
A exposição terá obras em diferentes técnicas e suportes, como esculturas, instalações, pinturas, desenhos e fotografias. São peças pertencentes ao MAM-RJ, tanto do acervo geral quanto das coleções de Gilberto Chateaubriand e Joaquim Paiva, que estão no museu em regime de comodato. Farão parte da mostra trabalhos emblemáticos, como dois “Metaesquemas” de 1957 e cinco “Parangolés”, de Hélio Oiticica. Também fará parte da mostra a obra “Bicho” (1960), de Lygia Clark, feita em alumínio. “É um grande privilégio mostrar esse recorte da coleção do MAM em Belém. É um conjunto de obras contemporâneas e modernas significativas de artistas do Brasil inteiro”, revela a curadora Marta Mestre.
Muitas das imagens apresentadas mostram a “Cidade Partida” de Zuenir Ventura, entre o morro e o asfalto, entre o gesto informal e a estrutura geométrica, onde atritos e afetos se complementam e as identidades permanecem em trânsito. Os trabalhos foram escolhidos exatamente por essa capacidade de propor imagens reconfiguradas do Rio de Janeiro e da sua vida urbana enquanto espaço de experiência cultural. Além de Hélio Oiticica e Lygia Clark, artistas reconhecidos como Iole de Freitas, Raymundo Colares, Antônio Dias, e nomes de uma geração mais nova, como Adriana Varejão, José Damasceno, Gustavo Speridião, Cabelo, Paula Trope e Marcos Cardoso, entre outros, estão na exposição.
“Mostra Carioca: a Impureza Como Mito” não pretende “tematizar” o Rio, mas apresentar olhares ainda ocultos sobre a cidade. “A ideia é desfazer alguns clichês da ‘Cidade Maravilhosa’. A mídia e as novelas apresentam o Rio como cartão postal, Cristo Redentor, Copacabana, Ipanema... Os artistas contemporâneos e modernos participantes da mostra exibem uma imagem alheia a isso, contraditória, outros pontos de vista. Eles exploram a cidade e a sociabilidade de forma diversificada. É um olhar amplo, não sobre o Rio de Janeiro, mas sobre como os artistas olham o Rio de Janeiro”, explica Marta.
As obras mais recentes são as serigrafias sobre tecido “Cangaço/Xô Choque” e ”Cangaço/Todo Poder à Praia!”, feitas em 2013 pelo coletivo Opavivará. Outros trabalhos atuais são as fotografias da série “Objetos Para Tampar o Sol de Seus Olhos”, de Paulo Nazareth, de 2011. Para a exposição em Belém, foram acrescidos trabalhos pertencentes ao acervo do Museu das Onze Janelas. “Dessa forma valorizamos o acervo local junto com o nosso”, pontua a curadora.
(Diário do Pará)
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