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Flip abre nesta quarta-feira e homenageia Millôr

“Sim, do mundo nada se leva. Mas é formidável ter uma porção de coisas a que dizer adeus.” A frase é uma das incontáveis tiradas permeadas de humor ácido escritas por Millôr Fernandes e que se perpetuam pela internet, nas redes sociais, dois anos depoi

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“Sim, do mundo nada se leva. Mas é formidável ter uma porção de coisas a que dizer adeus.” A frase é uma das incontáveis tiradas permeadas de humor ácido escritas por Millôr Fernandes e que se perpetuam pela internet, nas redes sociais, dois anos depois da morte dele. De onde está, o escritor, desenhista, tradutor e jornalista Millôr poderia acenar para um imenso séquito de fãs a quem deixou órfãos e com cara de pouco riso. O “Guru do Méier” faz falta. E os organizadores da Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, sabem disso. Tanto que resolveram, muito justamente, prestar uma homenagem a ele na edição deste ano, que abre nesta quarta-feira, já com ingressos completamente esgotados para a programação de mesas redondas e debates.

Millôr é assunto da conferência de abertura do evento, a cargo do crítico Agnaldo Farias, que destaca o valor da obra do multiartista para o Brasil, e também da mesa de abertura, que terá a participação dos humoristas Hubert e Reinaldo (ambos do Casseta e Planeta) e do cartunista Jaguar, um dos fundadores do “Pasquim”.

Hubert e Reinaldo são discípulos declarados do mestre Millôr e nos anos 1980 editaram uma cria do “Pasquim”, o “Planeta Diário”. “Quando eu era garoto, as páginas duplas do Millôr na revista ‘O Cruzeiro’ e (a revista) ‘Pif Paf’ me fizeram descobrir, de uma vez só, o desenho, as artes gráficas e o humor”, contou Reinaldo ao jornalista Alexandre Matias. Também será assunto para o caricaturista e pesquisador Cássio Loredano, consultor do acervo de Millôr Fernandes doado ao Instituto Moreira Salles, numa mesa no dia 1º de agosto.

A verve do homenageado deste ano também está na brincadeira feita pela organização da Flip, que vai publicar durante o evento, do dia 30 de julho a 3 de agosto, cinco edições de um jornal diário chamado “Daily Míllor”.

PARTICIPAÇÕES ESTRELADAS

Mas além das homenagens, a Flip reserva muito mais em Paraty nesses dias. A programação principal deste ano tem nada menos que 47 autores de 15 nacionalidades, a maioria em participação inédita, além de um show de abertura com a cantora Gal Costa que será aberto ao público. Entre os diversos recortes da programação, estão humor, arquitetura, ciência, pensamento indígena e crítica ao poder, característica do homenageado.

Confira, aqui, todos os participantes da Flip 2014.

Entre os autores jovens, estão o ator, humorista, poeta e colunista Gregorio Duvivier, conhecido por sua participação no grupo Porta dos Fundos, e por filmes como “Vai Que Dá Certo”. Ele lança na Flip o livro de poemas “Ligue os Pontos” (Companhia das Letras). A atriz Fernanda Torres, em sua estreia literária, com o romance “Fim” (Companhia das Letras), também é destaque.

Aliás, convidados interessantes é que não faltam à Flip. Este ano, também passam por lá o peruano Daniel Alarcón, autor de “A Rádio da Cidade Perdida” (Rocco), a neozelandesa Eleanor Catton, ganhadora do prêmio Man Booker Prize pelo romance “Os Luminares”, que ela lança na Flip pela Globo Livros, Vladímir Sorókin, o primeiro convidado russo da história da Festa, e o paquistanês Mohsin Hamid, autor do best-seller “O Fundamentalista Relutante”, entre outros autores.

LETRAS POR TODOS OS CANTOS EM PARATY

Não só de programação oficial vive a Flip. Uma opção mais pop no lado B da Flip é a Casa do Autor Roteirista, que chega agora a sua segunda edição. Com curadoria de Newton Cannito (série “9mm: São Paulo”) e Thelma Guedes (coautora da telenovela “Cordel Encantado”), o evento tem como foco debater a escrita para teatro, cinema e TV. A casa terá como convidados os atores Lima Duarte e Marcos Caruso e o roteirista Silvio de Abreu.

Bráulio Pedroso (1931-1990), autor da versão original da novela “O Rebu” (1974, TV Globo), será o roteirista homenageado desta edição.

O espaço também irá abrigar oficinas para criação de textos. Numa delas, os alunos serão estimulados a criar um curta-metragem de terror. “Queremos incentivar essa prática da fabulação que anda um tanto perdida, mostrar que todos podem dramatizar a vida e contar histórias”, diz Cannito. “Não é um privilégio apenas dos roteiristas da Globo”, completa.

Na FlipMais, o poeta Charles Peixoto e a cantora Adriana Calcanhotto falam de haicais, no dia 31, e o centenário de nascimento do poeta mexicano Octavio Paz será relembrado pelos escritores Alberto Ruy-Sánchez e Horácio Costa. Os 50 anos do golpe militar é gancho para o debate entre Ivo Herzog e Marcelo Rubens Paiva e ainda há muitas leituras dramáticas, como a que Marcos Caruso faz da peça “O Negócio”, de Bráulio Pedroso.

Na Casa IMS, promovida pelo Instituto Moreira Salles, o destaque será o lançamento do livro “Millôr 100 + 100: Desenhos e Frases”, organizado por Sérgio Augusto e Cássio Loredano, e a exposição com trabalhos extraídos do volume. O IMS realiza encontros com convidados da programação oficial, como Cacá Diegues e o colunista da Folha de S.Paulo Antonio Prata.

(Diário do Pará)

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