plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 29°
cotação atual R$


home

_
_

Eles escolheram esperar para fazer sexo

Eles são jovens como outros quaisquer. Para eles, aproveitar a juventude é encontrar os amigos, passear com a família, estudar, namorar... Com a família e os estudos, a preocupação com notas, provas e um ou outro problema com os pais fazem parte da rot

twitter Google News

Eles são jovens como outros quaisquer. Para eles, aproveitar a juventude é encontrar os amigos, passear com a família, estudar, namorar... Com a família e os estudos, a preocupação com notas, provas e um ou outro problema com os pais fazem parte da rotina, como na vida de todos na mesma faixa etária adolescente. Ao encontrar os amigos, nada de bebidas alcoólicas ou cigarro, nem mesmo falar “palavrão”, o que já vai os diferenciando na multidão. Quando o assunto chega ao namoro, é onde está um diferencial e tanto em relação aos seus pares: eles escolheram casar virgens. E o que muita gente enxerga com surpresa, preconceito, chacota até, para eles é coisa séria, e como tal, gostariam que o assunto fosse tratado com o respeito que a opção merece.

Para eles castidade é opção, não obrigação

Guardar-se para o casamento é algo que existe há milênios, faz parte da base de algumas religiões, mas voltou a ser debatido sob um viés contemporâneo após a criação de um movimento nacional chamado “Eu Escolhi Esperar”, que tem entre seus ícones nacionais o jogador de futebol David Luís. Por aqui, muitos jovens que fizeram essa opção se reuniram para trocar experiências no último final de semana. Entre eles, Walace Lira, de 27 anos, e Carol Moura, de 26 anos, namorados há um mês e que escolheram ter um namoro sem relações sexuais.

“É uma escolha que fizemos não só pela questão bíblica, mas também para se preservar para a pessoa certa”, afirma Carol, de mãos dadas com o namorado. Ele concorda e acrescenta que seria difícil ter o mesmo tipo de relacionamento entre pessoas de “mundos diferentes”, onde um deles não fosse capaz de compreender a escolha. “Seria uma dificuldade. Alguns até acham engraçado, não levam a sério. Mas se aquela pessoa não é capaz de te acompanhar naquela decisão, não vai saber acompanhar a vida toda”, acredita o jovem.

As amigas Ana Mota, de 17 anos, e Sophia Esther, de 18 anos, ficaram sabendo do movimento “Eu Escolhi Esperar” através da internet, o que só veio corroborar com a decisão anterior de só ter relações sexuais depois do casamento, ainda que a divergência com “o mundo lá fora” fosse constante. “Eu nunca falei abertamente, mas sempre dei a entender que sou virgem. Meus amigos não entendem, falam que não tem nada a ver em pleno século 21 eu escolher casar virgem”, lamenta Ana.

A amiga Sophia tenta jogar uma luz sobre a incompreensão alheia. “Na verdade, não foi alguém que chegou e pregou que devemos ser virgens, também não é o fato de querermos ser virgens até o casamento que nos leva a ter uma vida diferente. É o nosso modo de viver, como gostamos de viver, que leva a essa decisão. É natural para nós”. E mais difícil do que a situação das amigas é a dos rapazes, incompreendidos fora e dentro de casa.

O universitário Marcos Valadares, 18 anos, começou a namorar aos 16 anos, e assumiu sua escolha. Mas diz que hoje é ainda mais difícil não se magoar com a dificuldade de compreensão por parte de outras pessoas, incluindo o próprio pai. “Meu pai fala que no tempo dele não tinha só uma namorada, que eu estou perdendo a minha juventude. Até no futebol isso é motivo para piada. Se faço algo errado, eles dizem ‘é que ele é virgem’. Eles não entendem”, diz.

Os também universitários Wellington Vasconcelos, 22 anos, e Rayssa Braga, 21 anos, amigos de Marcos, passam pela mesma situação mesmo sendo um casal. “A gente é motivo para chacota”, comenta o rapaz. “O problema é que as pessoas que nos criticam vivem em um mundo diferente do nosso. Acham que para nós é um sacrifício o modo como escolhemos viver, e não é. Nos sentimos felizes com nossa maneira de nos divertir, de namorar, e de conviver com nossas amizades que são parecidas com a gente”, explica Rayssa.

A universitária Larissa Santos, 22 anos, um pouco mais sonhadora, diz que se sente mais segura com essa escolha do que se tivesse com vários parceiros ao logo da vida. “Quero passar por essa descoberta do sexo com uma única pessoa e de uma maneira que eu considero a correta. Me sentiria mais confiante em casar com alguém que me respeita, me entende, alguém com quem não precisei ter sexo para que ficasse comigo. Não digo que não houve momentos em que pensei em abandonar a escolha, mas me mantive nela porque era o que mais me fazia contente comigo mesma”.

Falta apoio e orientação

A essa juventude que difere da maioria, falta apenas um pouco mais de conhecimento e apoio, afirma o pastor Nelson Ferreira, criador do movimento “Eu Escolhi Esperar”. Segundo ele, de cada 10 jovens entre 13 e 24 anos de idade, sete não são mais virgens, e seu trabalho volta-se para todos. “Eu digo que faço palestras de ensinamentos, e é na igreja que minhas palestras são recebidas com maior resistência. Nelas, o sexo ainda é visto como um tabu. Encontro com esses jovens para falar de tudo, para que entendam que sexo é como comer, beber, dormir - faz parte da vida. E como todas essas outras coisas, precisa apenas ser feito de maneira saudável e com um propósito: o casamento”.

O próprio pastor torna-se personagem nesta discussão. Aos 12 anos, Nelson frequentava a Igreja Nova Vida, no Rio de Janeiro, sua cidade de origem. E foi nesse período que tomou sua decisão de se casar virgem. “Eu só não sabia das implicações dessa escolha”, afirma.

Aos 14 anos, ele tinha vergonha de dizer aos amigos que ainda era virgem. Dentro de casa, convivia com a pressão do pai, que chegou a acreditar que ele era homossexual. “Mesmo depois que eu casei, bem novo, aos 21 anos, ele ainda desconfiava. Hoje ele é pai e avô, acha bonito como eu me casei, e me pede para não contar nas minhas palestras que ele não concordava e achava que eu era gay”, conta o pastor, rindo ao lembrar do passado.

Modo de vida versus modinha

O pastor Nelson trabalha aconselhando jovens há 22 anos, e há três iniciou o movimento “Eu Escolhi Esperar”, nascido de suas experiências que lhe diziam que os jovens precisavam de alguém para falar de sexo e ter sua escolha apoiada. Mas outras pessoas já pensaram o mesmo e muito dessas campanhas acabaram foi virando moda.

Em 1994, nos Estados Unidos, um pastor deu início a uma campanha onde pregava a castidade sexual até o casamento. Foi quando surgiu a moda do “anel da pureza” também conhecido como “anel de prata”, “anel da castidade” ou “anel da virgindade”. Ele era para ser um símbolo da abstinência sexual entre jovens até o casamento, mas acabou mesmo foi virando moda.

Isso cocorreu quando o anel passou a ser utilizado por artistas como os irmãos do grupo Jonas Brothers e a atriz e cantora Miley Cyrus, além das cantoras adolescentes Demi Lovato e Selena Gomez. Acredita-se que mais de 100 mil pessoas já aderiram ao movimento, sendo uma realidade em vários países, inclusive no Brasil.”O que falta mesmo é sair da moda para ser simplesmente o entendimento e respeito pelas escolhas alheias”, afirma a jovem Larissa Santos.

(Diário do Pará)

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em _

    Leia mais notícias de _. Clique aqui!