Nas mãos do público. É assim que está o cantor paraense Júlio Freitas. Ele depende de cliques dos internautas para participar do “Breakout Brasil”, programa de talentos musicais exibido pelo canal de TV a cabo Sony.
A primeira fase consistiu em inscrições de bandas e cantores solo de todo o país. Os candidatos que preencheram os pré-requisitos exigidos e conseguiram se inscrever com sucesso entraram na fase de avaliação e votação onde Júlio está inserido.
“Todos temos nossos fonogramas avaliados por produtores contratados pelo Canal Sony e pelo público, que vota e avalia clicando nas estrelas na página de cada artista, e postando seus comentários. Do total de inscritos na fase inicial, aqueles que obtiverem uma das 50 melhores avaliações passam para a próxima fase, quando iniciam as gravações do programa que vai ao ar. O vencedor terá contrato com a gravadora Sony Music”, explica o artista, que atualmente faz concertos de jazz em São Paulo, onde reside.
Júlio iniciou a carreira em 1996 como cantor profissional, em Belém, com Nego Nelson ao violão, evoluindo mais tarde para trabalhos com banda, e experimentando diversas combinações de formação instrumental. Entre seus prêmios, estão o de Melhor Intérprete na 2ª Bienal Internacional de Música de Belém. Em 2003, ele lançou o seu primeiro CD solo intitulado “Furta-cor”.
O jazz é o seu mais novo xodó. “Como artista decidi me render ao fato de que o jazz tem influência no surgimento de praticamente todos os outros gêneros musicais depois dele”, diz o cantor.
O repertório de Júlio apresenta canções de bossa nova e ainda versões em inglês de músicas de compositores paraenses. “No futuro, quero fazer um repertório só brasileiro bem diversificado, com músicas de Chico César, Renato Russo, Vital Lima, Zélia Duncan, Maria Lídia, Vinicius de Moraes... Como fiz durante pelo menos dez anos, com (o guitarrista) Renato Torres, em Belém, inclusive com músicas dele”
Apesar do talento e da trajetória, Júlio conta que se sente refém de uma realidade determinada por estratégias e regras de mercado que lhe deixam extremamente limitado. “No Brasil de hoje, o maior lucro da indústria musical vem de músicas superficiais, ou com mensagens chulas, o total oposto da música que eu faço”, acredita.
Mas, segundo ele, esse sistema pode ser quebrado com iniciativas como o “Breakout Brasil”, que pretende mostrar música nova (não conhecida do grande público brasileiro) e de qualidade para o país inteiro. “Entrar nesse programa significa quebrar barreiras, pra que um número maior de pessoas conheça e desfrute da minha arte”, diz.
(Diário do Pará)
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