Uma dobradinha de shows é o presente de Ellen Oléria para Belém nesta semana. Ela vem cantar do jeito que o paraense gosta, de forma próxima, aconchegante, como quem já conhece nossos jeitos e costumes. E conhece mesmo. Ellen retorna para dois shows como quem visita a casa de um velho amigo e é muito bem recebida. Já esteve diversas vezes na capital paraense e fala da cidade com intimidade, mas traz para os palcos uma versão intimista, apenas ela e o violão, no que será o primeiro show na região Norte do seu CD “Ellen Oléria”, trabalho que já vendeu mais de 15 mil cópias, e marca sua carreira após a passagem vitoriosa pelo reality show “The Voice Brasil”.
“Esse é o meu primeiro disco lançado por uma grande gravadora, a Universal Music, e estamos fazendo shows em todo Brasil, mas este já é o quarto CD da minha trajetória como cantora. Estava ansiosa para fazer esse show em Belém e, quando surgiram essas duas oportunidades, nós logo abraçamos. A intenção é fazer algo com o povo mais pertinho, ter a oportunidade de conversar sobre as composições, um pocket show mesmo, para apresentar o trabalho”, diz, sorridente, a cantora, que está em Belém desde o início da semana.
Não é apenas um trabalho novo, mas um passo brilhante de um carreira sólida e construída com carinho ao longo de 15 anos de música. São, além das composições novas, trabalhos autorais que ela traz de quando ainda circulava pelo meio alternativo e não era conhecida do grande público, como o disco “Peça” e a gravação independente com o grupo Soatá, lançados em 2009, e também do DVD “Ellen Oléria e Pret.Utu - Ao Vivo no Garagem”, com a banda Pret.Utu, lançados em 2011.
“Eu instiguei muito esse lado autoral nessa época e meus trabalhos estavam voltados para isso. Foi então que a passagem pelo ‘The Voice’ acabou trazendo outras referências, despertou meu lado intérprete. Foi muito intenso meu mergulho na obra de outros artistas como Milton Nascimento, a própria Elis Regina, que é uma referência para mim, Jorge Ben Jor, Tim Maia, Gilberto Gil, tudo isso me inspirou muito. Ali revi meu lugar de intérprete. Quando saí do programa, eu tinha o projeto autoral e as canções apresentadas na TV, e não queria deixar nenhum desses público órfãos de nenhuma das duas coisas. No final, o disco é esse balaio, um pouco de cada trabalho que fiz. Acho que é por isso que o disco leva meu nome, são várias fases minhas ali”, explica a cantora, que reúne no set list do show músicas próprias, como “Testando” e “Não-Lugar”, e suas interpretações famosas para “Anunciação”, de Alceu Valença, “Maria Maria”, de Milton Nascimento e “Zumbi” de Jorge Ben Jor. A procura do show foi tão grande que o espetáculo de quinta-feira, que antes seria no Sesc Boulevard, foi transferido para o teatro Margarida Schivasappa, para receber melhor as pessoas.
“A ideia é essa que a gente possa abraçar e beijar as pessoas, falar do disco. Nosso encontro bem íntimo ficou um pouco maior, mas continua com a proposta inicial, que é também fazer um som. Quero esse momento para dedicar os discos, não gosto de chamar de autógrafo, porque acredito que não sou uma destas estrelas brasileiras que está na posição de autografar. Eu me vejo menina na minha trajetória, apesar dos 15 anos de estrada”, diz Ellen, modesta.
INTIMIDADE COM O PÚBLICO

Ellen já gravou um documentário no Pará, com o grupo Soatá (foto), e fez show no Ver-o-Peso
A cantora se sente em casa em Belém. Mas também pudera, afinal já visita a cidade há quase dez anos e conhecem como ninguém o turismo e a cena cultural daqui.
“Uma das coisas especiais em voltar para Belém é relembrar meus momentos com essa cidade. Já participei de cinco festividades do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, já andei bastante nas praças da cidade e aqui me sinto em um ambiente muito familiar. Voltar para cá com o meu projeto tem um gosto especial”, aposta Elle, que esteve em Belém a primeira vez quando atuava como atriz em um grupo de teatro.
“Em 2005 vim com um grupo de teatro, a Cia dos Sonhos, e apresentamos o espetáculo ‘Rosa Negra, uma Saga Sertaneja’. Com o professor Hugo Rodas conheci a cena cultural da cidade já nesta ocasião. Lembro que foi a primeira vez que ouvi carimbó”, relembra.
Depois ela passou aqui como cantora na banda Soatá, já incorporando o ritmo paraense a suas canções, em uma parceria com Jonas Santos, compositor paraense que mora em Brasília. “Antes da minha entrada na banda ela se chamava Epadu e tinha vários componentes do Pará. Com a minha entrada o projeto ganhou outro oxigênio e a proposta era misturar carimbó e marabaixo, típicos do Pará, com rock, funk e soul. Foi muito impactante para mim, porque foi a primeira vez que cantei rock. Com esta banda voltei a Belém inúmeras vezes e participamos do Festival Se Rasgum em 2011”, orgulha-se Ellen, que, com a Soatá, ano passado também viajou pelo estado filmando um documentário e culminou a turnê por aqui com um show no mercado de carnes no Ver-o-Peso, privilégio que muitos artistas locais não puderam vivenciar.
“De alguma maneira fui conquistada pela cidade. Sempre fui recebida com muito carinho e toda vez que venho aqui só posso pensar em celebração, e é isso que vamos fazer nestes dois shows. Minha volta é boa porque mato a saudade da comida, do tempero, e aproveito para apresentar esse espetáculo”, brinca a cantora.
ESCOLHA O SHOW
Pockets show de Ellen Oléria em Belém
Quando e onde: quinta-feira, 31, no Teatro Margarida Schivasappa (Centur - Gentil, esquina com Rui Barbosa) e sexta-feira, 1º de agosto, na Livraria Saraiva (Boulevard Shopping)
Hora: Sempre às 19h
Quanto: Entrada franca em ambos, mas ingressos têm que ser retirados uma hora antes.
(Diário do Pará)
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