plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 25°
cotação atual R$


home

_
_

Da Terra Firme para Berlim

Ao seguir por este caminho, ainda que com um começo tão simples, muitos jovens podem ir longe. Podem chegar até a Alemanha, como o ator João Batista que há 12 anos mora em Berlim. Formado em artes cênicas, ele iniciou as atividades artísticas em 1978,

twitter Google News

Ao seguir por este caminho, ainda que com um começo tão simples, muitos jovens podem ir longe. Podem chegar até a Alemanha, como o ator João Batista que há 12 anos mora em Berlim. Formado em artes cênicas, ele iniciou as atividades artísticas em 1978, coordenando e encenando diferentes espetáculos teatrais. Criou em 2005 seu próprio grupo, chamado Proscênio Brasil, formado por brasileiros, alemães e latinos. E trabalha também no Labyrinth Kinde Museum, em Berlim.

Depois de passar pelo Grupo Ribalta para ensinar a esses jovens atores tudo que aprendeu em 12 anos na Alemanha, João Batista segue esta semana para a cidade de Parauapebas para ministrar um curso de interpretação e direção.

Há quatro anos sem vir ao Pará, ele se diz satisfeito em repassar o que aprendeu e aproveita para falar um pouco de seu trabalho na Alemanha, e de seu início aqui em Belém, durante entrevista concedida ao caderno Você.

Como foi seu início em Berlim, na Alemanha?

Em 2005 minha primeira montagem em Berlim foi “Cordélia e o Peregrino”, um texto de Vinicius de Moraes, e a partir dessa experiência vi a forma como o alemão trata o teatro.

E como é o teatro na Alemanha?

Aprendi com eles que não é tão simples ir à cena. Você precisa estar o tempo todo se exercitando, vendo coisas, fazendo tudo de forma muito intensa e precisa encarar isso como um trabalho. É esse processo que tenho aprendido nos últimos 12 anos em Berlim que passei e exercitei com outras pessoas aqui na oficina.

Algo te chocou nesse contato com o teatro alemão?

Ele se concentra muito na tragédia, no sofrimento do ser humano. Essa é uma grande diferença, é muito sangue, explosão de corpo, movimento. Saiu do expressionismo, já se trata de teatro de uma forma até brusca em cena. E isso inicialmente me chocou muito. Mas a gente aprende a também compreender a cultura através das coisas que se mostram em um teatro, em como os artistas representam.

E como é seu trabalho no Labyrinth Kinde Museum?

É um trabalho como artista e arte-educador, paralelo ao meu trabalho como ator no Proscênio Brasil. Ele é um museu infantil onde cada tema desenvolvido na exposição interfere no nosso trabalho com as crianças. O tema atual do museu é “Construção”, a construção de uma cidade. Então a criança passa a perceber o que tem na cidade, como ela se constrói, o que se pode fazer nela, como são as obras dentro de uma casa, o que tem de ser vivo em cada canto. Isso se torna uma forma didática fantástica, me anima muito!

Por que montar um grupo de teatro brasileiro em Berlim?

Eu não me sinto motivado em montar lá uma peça de autoria alemã, eles (atores locais) são mestres nisso, são reis, os autores nasceram lá. Então, por que não bater na tecla do teatro brasileiro? Todos os espetáculos do Proscênio são em língua portuguesa, eu quero mostrar como o meu povo, o teatro, o dramaturgo e o ator brasileiro são em cena. Essa cultura me interessa e o público gosta muito do teatro brasileiro, vai sempre ver os espetáculos, não só os meus como o de outros grupos que trabalham um pouco nessa linha.

O que seu grupo está levando atualmente para o público alemão?

Nós estreamos em fevereiro com o espetáculo “A Lua é Minha”, do dramaturgo Mário Bortolotto. Ele é do Rio Grande do Norte, mas reside em São Paulo há muitos anos, e dirige o grupo teatral chamado “Cemitério de Automóveis”. O espetáculo conta história de um artista plástico, o João Luis, que está em uma fase muito decadente, sem criatividade. É uma comédia muito leve.

Como o teatro entrou em sua vida?

Comecei a experimentar teatro com 13 anos de idade. Aqui na Terra Firme, meu irmão já participava de grupo de jovens na Igreja de São Domingos e os trabalhos desenvolvidos com grupos dentro das igrejas começaram a criar espetáculos, pequenas performances. Em uma dessas, meu irmão me convidou a fazer parte. Foi aí que começou a mexer em mim esse bichinho do ator, que foi me cutucando, cutucando, e daí não parei mais. Entre os 16 e 18 anos eu pensei “é isso que eu quero, mas eu vou estudar”. E eu fui para a Escola de Teatro e Dança da UFPA, me formar.

Se você não fosse ator, o que seria?

Ator (risos).

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em _

    Leia mais notícias de _. Clique aqui!