Hoje e o dia 18 de agosto, também uma segunda-feira, reservam uma oportunidade para conhecer a obra do cineasta Victor Lopes, homenageado do mês na programação do Cineclube Alexandrino Moreira. Com sessões gratuitas no teatrinho do Instituto de Artes do Pará (IAP), sempre às 19h, a mostra agrupa os principais filmes do diretor moçambicano, que há 30 anos vive no Brasil. A entrada é franca.
Victor Lopes tem uma carreira consolidada no país desde a década de 1990, com trabalhos que incluem documentários e filmes de ficção, musicais e séries especiais para a TV. Um pouco da sua produção pode ser vista em Belém no ano passado, quando ele passou pela cidade para ministrar uma oficina de “pitching” e fez uma mostra retrospectiva de seus filmes.
No programa do cineclube, estão filmes de Victor como diretor e roteirista. Serão exibidos “Bala Perdida” e “As Aventuras de Agamenon, O Repórter”, este último roteirizado pelos humoristas Hubert e Marcello Madureira, do “Casseta e Planeta”, e estrelado por Marcelo Adnet e Luana Piovani.
Mas os filmes que abrem a mostra hoje são “Vênus de Fogo” e “Língua – Vida em Português”. O primeiro é uma ficção de 1992, em que ele fala de prevenção da aids entre prostitutas. O filme foi premiado no Brasil e na Itália e participou do Input 95 em San Sebastian. Também integra o acervo do Museu de Arte Moderna de Nova York. Já “Língua – Vidas em Português”, de 2002, seu primeiro longa-metragem, mostra o universo da Língua Portuguesa no cotidiano de quem a utiliza, nas situações mais corriqueiras, fazendo negócios, em brigas no trânsito, contando piadas, e também escrevendo poemas, falando de amor. Victor retrata como a língua é falada por bocas brasileiras, moçambicanas, goesas, angolanas, japonesas, cabo-verdianas, portuguesas, guineenses, e acaba reinventada a cada canto. “Língua – Vidas em Português” foi premiado no Brasil e em Portugal e inaugurou, em 2004, o primeiro circuito digital do cinema brasileiro.
No dia 18, serão exibidos o documentário “Zed”, o curta-metragem “Bala Perdida” e o longa “As Aventuras de Agamenon, O Repórter”. Em “Zed”,filme de 1987, Victor conta a vida e obra do artista plástico através do seu olhar. Já em “Bala Perdida”, de 2003, ele narra o trajeto de cinco balas e das pessoas com que elas cruzam durante um tiroteio numa praça, onde qualquer um pode morrer. O curta ganhou 20 prêmios em festivais nacionais e internacionais, tornando-se um dos mais premiados do país.
Para fechar a programação, tem a comédia “As Aventuras de Agamenon, O Repórter”, de 2012. O filme conta a história de Agamenon Mendes Pedreira, um repórter sempre em busca da notícia e da fama e que vive uma paixão intensa com a provocante Isaura, que procura formas de lidar com a ausência do velho Aga, como ele é carinhosamente chamado pelos colegas da imprensa. Agamenon está presente na cobertura de vários acontecimentos importantes do século 20, do naufrágio do Titanic à Segunda Guerra Mundial. O filme surgiu de um quadro feito por ele, Hubert e Madureira para o Fantástico, da TV Globo, e atingiu a marca de 940 mil espectadores.
Este não foi o único trabalho do diretor, roteirista, documentarista e professor para a TV. Ele dirigiu as séries “Noções de Coisas”, escrita por Darcy Ribeiro, e “Free Jazz” (co-direção com Roberto Berliner), além de ter realizado programas para a TV Futura, Multishow, History Channel, Arte-France, e o quadro “Um Brasileiro no Dia D”, também dentro do Fantástico. Seu mais recente lançamento, em 2013, foi “Serra Pelada, A Lenda da Montanha de Ouro”, documentário sobre a maior corrida do ouro do século 20, selecionado pelo Programa “É Tudo Verdade” do Canal Brasil.
(Diário do Pará)
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