As visões e andanças de Michelle Cunha, construídas em um universo bastante pessoal, são a matéria da exposição “O Mundo de Dentro Pra Fora”, que abre amanhã e fica em cartaz até o dia 29 na Galeria Theodoro Braga, do Centur.
Michelle volta a expor menos de dois meses depois da sua última mostra, “Como Um Sol No Meu Quintal”, na galeria Gotazkaen. Desta vez, o título do trabalho também faz referência à inquietude criativa da artista, cuja obra não se encerra no ateliê, mas ganha as ruas como espaços expositivos, percorrendo linguagens da arte gráfica, intervenção urbana, xilogravura e arte conceitual para compor sua poética.
Uma mistura que está na assinatura de Michelle. É assim com a série de corujas que saiu dos grafites que ela fazia desde sua temporada em Brasília e que começaram a aparecer em outros trabalhos. “Sempre deixo uma por onde vou, por aqui também, embora não tenham a cara de Belém. Acho que agora elas têm a minha cara”, conta.
Mas Michelle não perde a distinção entre o espaço fechado da galeria - que ela vê como “o cubo branco” -e a rua, para ela “o mundo a ser conquistado”. “Ainda que eu vá utilizar dentro da galeria técnicas que uso na rua, no caso o grafite, a linguagem se modifica em função desse espaço que é outro, e também a forma de apresentação e de acolhimento pelo público. Então, não posso chamar de arte de rua aquilo que coloco na galeria, mas é uma citação, uma referência ao que é feito na rua”, explica.
De uma maneira ou de outra, são os afetos que cumprem uma função crucial no trabalho de Michelle, que se percebe com um olhar até romântico em relação ao mundo que a rodeia: “Costumo dizer que a cidade é de quem ama, então minhas ações na rua, por exemplo, falam desse meu envolvimento afetivo com os lugares e pessoas que cruzam meu caminhar”, diz Michelle, que apesar de ser movida pelo espaço ao redor, não se nomeia como uma artista de rua: “Isso restringe o que sou. Enquanto artista posso decidir o lugar que quero estar e o modo de estar. Expor numa galeria pode ter a mesma importância de estar na rua, o que importa é minha capacidade de estar em movimento”, explica.
(Diário do Pará)
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