Pensar na Bauhaus é ancorar imediatamente no fabuloso mundo da arquitetura e do design. A vanguardista escola superior de design alemã fundada por Walter Gropius, em 1919, e extinta pelo governo, em 1933, foi uma das maiores e mais importantes expressões do Modernismo na construção, mas também ultrapassou os limites artísticos, tornando-se referência em fotografias, filmes e outras linguagens que tiveram um papel expressivo na história da instituição. Para mostrar este acervo, o Museu do Estado do Pará - MEP e o Goethe-Institut promovem, pela primeira vez em Belém, a exposição “Bauhaus.foto.filme”, que inicia amanhã e segue até o dia 18 de setembro, na Galeria Antônio Parreira do MEP.
A mostra reúne 50 fotos e uma dúzia de filmes do Arquivo Bauhaus/Museu de Design em Berlim e da Fundação Bauhaus Dessau, produzidos por alunos e professores da escola alemã. “As imagens estão divididas em seções temáticas, como Arquitetura e Design e também temos retratos dos integrantes da Bauhaus. Os 12 filmes em curta-metragem são uma das partes mais interessantes da exposição, com entrevistas e arquivos sobre arte e mídia, dentre outros”, explica a representante do Goethe-Institut, Sabine Reiter.
Na mostra, o Arquivo Bauhaus/Museu de Design em Berlim apresenta uma seleção com as obras mais representativas da coleção, incluindo fotografias clássicas de Lucia Moholy, László Moholy-Nagy e T. Lux Feininger e imagens de fotógrafos menos conhecidos, como Kattina Both, Irene Bayer e Max Peiffer Watenphul, além de peças não menos audaciosas de autores totalmente incógnitos. Os registros variam de instantâneos a documentos históricos e ilustram, por meio de diagonais dinâmicas, perspectivas extremas e truques profissionais, o manuseio experimental e profissional da mídia fotográfica na Bauhaus.
Já a Fundação Bauhaus Dessau apresenta projeções em grande formato de filmes originais raros. Os vídeos possibilitam um contato próximo e sensível com a produção histórica da Bauhaus, evidenciando práticas e conceitos que faziam parte do que Walter Gropius chamava de “ciência do olhar”. A Fundação possui 26 mil objetos e é a segunda maior coleção da Bauhaus em todo o mundo.
Pela importância estética e histórica, Sabine diz que a mostra merece ser visitada não só por arquitetos e pessoas que gostam de fotografia, mas por todos que apreciam a arte. “Esta escola de arte influenciou bastante a arquitetura atual. Berlim apresenta muitos prédios com a influência da Bauhaus. Mas acredito que a grande inovação da Bauhaus foi mostrar que os produtos industriais também podem ter valor estético. As imagens exploram vários objetos como cadeiras, louças, lâmpadas... As coisas parecem bem simples, mas têm linhas claras. Quando vejo as fotos dos prédios e objetos, percebo uma estética própria e de maneira funcional”, descreve Sabine.
Apesar de a fotografia ter sido incluída nos currículos somente em 1929, em aulas vinculadas à oficina de publicidade, o uso de câmeras fotográficas e as experimentações em audiovisual já faziam parte do cotidiano da escola antes disto. Depois da Primeira Guerra Mundial, estas novas mídias aguçaram a curiosidade de muitos estudantes e docentes da Bauhaus para a exploração das possibilidades da fotografia e do filme. A exposição oferece, portanto, uma visão abrangente do conjunto de atividades praticadas na Bauhaus e ilustra a influência recíproca entre diversas disciplinas aplicadas na instituição. A instalação exibe, no prólogo, a mesma programação de filmes exibida por Walter Gropius na cerimônia de inauguração do então novo prédio da Bauhaus, em Dessau, em 4 de dezembro de 1926.
Filmes produzidos por “bauhausianos” e outros contemporâneos compartilham o espaço com entrevistas e adaptações posteriores em filme de projetos mais antigos de nomes de peso como Werner Graeff, Kurt Schwerdtfeger e Kurt Kranz, apresentando um panorama geral do repertório cinematográfico da escola alemã.
SERVIÇO
Mostra “Bauhaus.foto.filme”
Abertura: Amanhã, às 19h
Onde: Galeria Antônio Parreiras do Museu do Estado do Pará MEP (Praça Dom Pedro II)
Visitação: Até o dia 18 de setembro
Horário: 10h às 19h, de segunda a sexta, e das 10h às 14h, aos sábados e domingos
(Diário do Pará)
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