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Bailarino paraense vai para o Bolshoi

Avida imita a arte? Se não imita, muitas vezes pode se inspirar nela para dar início a histórias tão fascinantes quanto a ficção. Davi Gabriel Franco era um garoto de 9 anos de idade que vivia com a mãe muitas dificuldades, principalmente financeiras, e c

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Avida imita a arte? Se não imita, muitas vezes pode se inspirar nela para dar início a histórias tão fascinantes quanto a ficção. Davi Gabriel Franco era um garoto de 9 anos de idade que vivia com a mãe muitas dificuldades, principalmente financeiras, e com ela frequentava o Teatro Cuíra, em Belém, que desde a abertura desenvolve um trabalho de inserção social através da arte. Ali, Davi conheceu Edyr Proença e Zê Charone e o casal se encantou pelo garoto.

Depois de visitas e férias na residência do Edyr e Zê, Davi acabou se mudando para o local e chamando a atenção dos olhos experientes dos dois, reconhecidos no meio artístico. Segundo eles, o menino “vivia dançando pela casa” e tinha todo o perfil físico de um bailarino. Mas o menino estranhou quando os pais adotivos fizeram a inusitada sugestão: “Perguntaram se eu não gostaria de dançar, e quando disseram ‘balé’ eu estranhei um pouco. Eu nem sabia que existia bailarino”, lembra o menino.

Então o casal apresentou Davi a “Billy Elliot”, filme que conta história de um garoto de 11 anos que vive em uma pequena cidade da Inglaterra e é obrigado pelo pai a treinar boxe. Porém, na mesma academia onde ocorrem os treinos, Billy assiste a uma aula de balé e fica fascinado. Na obra cinematográfica, é a professora de balé quem realiza o papel de Zê Charone e Edyr Augusto: ela vê em Billy um talento nato para a dança, o ajuda a enfrentar o pai machista e o conduz a seguir rumo a uma carreira brilhante.

“O que mais me atraiu para o balé depois de assistir ao filme foi mesmo o final, quando, depois de tudo que ele passou, acabou se tornando o primeiro bailarino de uma grande companhia. Ele também me preparou para o preconceito, então fiz a escolha sabendo que passaria por isso, como o personagem passou”, conta Davi. Preconceito que aos poucos tem superado, conquistando o respeito de amigos agora conscientes do talento e de tudo o que Davi já conseguiu conquistar por meio da dança. E ele próprio se vê com novos olhos.

Quando chegou ao Centro de Dança Ana Unger, onde estuda, o jovem se deparou com diversos quadros espalhados pela parede exibindo fotos de bailarinos em ação, e aquilo o transportou para uma projeção futura da própria vida. “Fez eu me sentir diferente, importante… Saber que existem poucos bailarinos aqui mesmo na academia me faz sentir especial”, avalia o rapaz, que aida ri ao lembrar dos olhares curiosos em sua primeira aula. “Foi engraçado, as bailarinas da minha turma nunca tinham visto um menino na sala”.

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(Diário do Pará)

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