Seja a trilha sonora ou apenas uma canção, música e cinema parecem ser indissociáveis. Grandes temas musicais do cinema se tornaram parte do imaginário coletivo, seja a “Marcha Imperial” do primeiro “Guerra nas Estrelas” (1977), ou “Raindrops Keep Falling On My Head”, de B. J. Thomas, que remete imediatamente a “Butch Cassidy” (1969) e à cena de Paul Newman e Katharine Ross andando de bicicleta.
Essa relação de importância, para um lado e para o outro, mas fundamentalmente para a indústria fonográfica, que se beneficia dessa exposição, hoje em dia é dividida com a indústria dos games. No começo do ano, em menos de três dias depois do lançamento da quinta versão do Grand Theft Auto, o GTA V, o jogo já havia rendido mais de US$ 1 bilhão em vendas, número recorde para o setor de videogames e que poucos blockbusters conseguem alcançar. Para o game, 240 músicas foram licenciadas, indo do rap ao funk, do reggae ao dub, passando pela música eletrônica, rock, country, pop, música latina e tudo mais que se possa imaginar.
No 9º Festival Se Rasgum de Música, que acontece entre os dias 20 e 23 de agosto, duas das principais atrações já fazem parte desse mundo virtual. A norte-americana Bass Drum of Death, que se apresenta no sábado, dia 23, teve a música “Crawling After You”incluída justamente no GTA V. O paraense Felipe Cordeiro, também se apresenta no dia 23, como a penúltima atração do festival. Provavelmente terá em seu show a “Lambada Alucinada”, música instrumental composta por ele e pelo pai, o mítico Manoel Cordeiro, e que faz parte do jogo “Copa do Mundo 2014”, lançado em abril deste ano pela EA Sports para os consoles Playstation 3 e Xbox 360.
Mundialmente, a indústria de games é vista como a salvação da indústria de entretenimento, em especial a cambaleante indústria musical. Em tempos de MP3 e música digital, quando pouca gente ainda paga para comprar um CD ou DVD, associar as gravações a um produto onde a cobrança por ele é mais fácil, é considerada uma saída e tanto. Enquanto índices mundiais dão conta que as audiências nos cinemas, televisão e as vendas de discos caem, as trilhas sonoras dos games se tornaram uma alternativa para quem trabalha com música.
Há pelo menos uma década, o principal pilar da cultura pop é o mundo virtual dos games, pelo menos em arrecadação. Em estudo feito ano passado pela empresa de consultoria DFC Intelligence, dos Estados Unidos, foi feita uma projeção de que até 2017 os jogos eletrônicos movimentarão no mundo US$ 75 bilhões. Um ano antes, em 2012, essa cifra foi de US$ de 52 bilhões, passo que a de cinema foi de US$ 50 bilhões. Por isso, para a geração que cresceu no olho do furacão da crise do mercado fonográfico e com a ascensão do videogame, títulos como GTA, Final Fantasy, Call of Duty, Halo, entre outros, rivalizam com Beatles e “Star Wars”, Elvis e “Harry Potter”, Madonna e “Senhor dos Anéis”. Quanto à música, essa relação chega a ser injusta. Nos Estados Unidos, esse setor movimenta três vezes mais que a venda de CDs e DVDs musicais.
Como é um caminho que se mostra irreversível, para músicos e gravadoras não é mau negócio se aliarem a esse fenômeno do entretenimento. A pirataria nos jogos eletrônicos, que é enorme, nem se compara em tamanho ao compartilhamento de músicas. A indústria dos games consegue utilizar de artifícios mais eficientes nesse sentido, como a oportunidade de jogar online por uma mensalidade, ou com a oferta de benefícios na compra de mídias originais, como descontos em assinaturas de serviços digitais.
Mesmo que o faturamento com músicas utilizadas em games seja um fenômeno recente, e no Brasil ainda seja incipiente, não é de hoje que os jogos se destacam pelas suas trilhas. O Fifa 98, lançado no século passado, ajudou a popularizar “Song 2”, do Blur, e “Rockafella Skunk”, do Fatboy Slim, entre outras.
A presença de Felipe Cordeiro no jogo oficial da Copa do Brasil deste ano mostra uma evidente preocupação com a inserção de trilhas inovadoras, como Cansei de Ser Sexy, Curumin, Michel Teló e Daniela Mercury, que já emplacaram músicas nas jogadas do Fifa e do Pro Evolution Soccer.
(Diário On Line)
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