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A voz que canta um outro Brasil

As rodas de carimbó, iluminadas apenas com lamparina e embaladas pelos sons de mestre Verequete são memórias da infância de Nazaré em Belém. Dessas memórias ela resgatou um estilo próprio e após cantar o Brasil para o mundo, abraçou a música amazônica com

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As rodas de carimbó, iluminadas apenas com lamparina e embaladas pelos sons de mestre Verequete são memórias da infância de Nazaré em Belém. Dessas memórias ela resgatou um estilo próprio e após cantar o Brasil para o mundo, abraçou a música amazônica com um charme especial. “Sempre fui encantada pela nossa realidade amazônica. Gosto de natureza, do verde e da nossa cultura e comidas. Depois de descobrir que podia cantar, escolhi um estilo que fosse meu, e essas memórias de infância foram resgatadas. Alguns jornalistas da Europa me intitularam como ‘A cantora do outro Brasil’. Naquela época as pessoas conheciam a música que é feita no Rio de Janeiro e São Paulo e eu trazia essa música do Norte e Nordeste. Fui intercalando coisas do Brasil e ampliando este repertório”, esclarece Nazaré.

A descoberta desse “outro Brasil” na voz de Nazaré teve seu ápice na Europa nos anos 1980, tendo a Suíça como o público que mais acolheu as músicas que ela cantava. “As músicas foram sucesso na França, Europa, Bélgica e Suíça. Inicialmente, para agradar os europeus era preciso cantar bossa nova, mas eu trouxe uma música brasileira que eles não conheciam. Cantava Waldermar Henrique, Luiz Gonzaga, Dominguinhos e às vezes um pouco de Chico Buarque e Caetano Veloso”, rememora Nazaré.

Por amor e carinho que tem pela mãe, já com 95 anos, Nazaré vem com mais frequência a Belém para visitá-la. “Venho três vezes por ano a Belém e gosto de rever amigos e família, mas minha morada é em Paris, lá me sinto em casa e acolhida”, fala a cantora.

Sua passagem por Belém premia os paraenses com shows como o desta noite, e participações em programas de rádio e TV. A cantora não revela a idade, mas independente de qual seja, é um exemplo de energia. Agenda lotada com diversos compromissos de carreira e foco total nos ensaios para show e preparativos. Ela mesma produz e dirige o espetáculo e por isso o trabalho é redobrado. Mas permite espaço para uma presença brejeira, com saia de carimbó e flor no cabelo. Mesmo tendo que acordar cedo para sair de Icoaraci e vir até o Bosque Rodrigues Alves fazer as fotos da matéria, antes de partir para o ensaio geral no teatro.

(Diário do Pará)

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