Nazaré Pereira mora há 30 anos em Paris, mas não conhece a Torre Eiffel muito bem. “Fica perto de casa e todo brasileiro que chega lá corre para tirar foto. Acho que não cheguei nem no primeiro andar”, revela a cantora. Paris foi uma consequência importante na vida da cantora e atriz, aconteceu ao acaso, com uma passagem que ganhou em um concurso de televisão, na antiga TV Tupi, mas que mudou a vida de Nazaré. “Ganhei essa passagem em uma premiação pela minha participação na novela ‘E Nós, Como Vamos?’. A passagem era até Portugal, mas eu cheguei até Paris por conta própria”, relembra a cantora.
Ela, que saiu do Acre, quando tinha apenas 7 anos, para morar em Icoaraci, distrito de Belém, talvez não imaginasse que chegaria à Cidade Luz, mas o que ela não sabia mesmo era que sua voz chegaria ao mundo. “Nunca imaginei que seria cantora. Meu sonho era ser atriz, estudei teatro em Belém e depois fui para o Rio de Janeiro, onde estudei no Conservatório Nacional de Teatro, fiz peças e participações em novelas. Queria chegar em Paris para estudar teatro”, conta Nazaré.
Mas a vida Às vezes nos surpreende com desafios que não esperávamos e a estada de Nazaré na França não foi bem como ela imaginava, e como ela mesmo diz, é uma longa história que não vale a pena contar. “Comecei a cantar para ganhar um sanduíche. Cantava em metrôs, praças, às vezes até tocava uma cuíca e achei que eles estavam gostando porque colocavam um bom dinheiro”, diz sorridente a cantora.
“As pessoas passaram a perguntar se eu tinha um compacto, que é como chamavam os CDs na época, e eu resolvi investir nisso. Meu primeiro disco tinha a música ‘Cheiro de Carolina’, que muitos pensam que é de Luiz Gonzaga”, conta a cantora.
E o público francês estava realmente certo em incentivar Nazaré a cantar a sua música brasileira. De lá até hoje, foram 19 trabalhos lançados, a maioria deles gravados na França, exceto um disco feito em Belém e outro em Fortaleza. “Agora estou lançando uma série de CDs chamados ‘Souvenirs’, que está chegando no número quatro, e deve ir até o volume oito, com todas as músicas que fiz e cantei e que não saíram no Brasil”, explica.
O disco, permeado pelas “memórias” musicais da cantora, é exatamente o ponto de partida para o repertório do show que ela apresenta nesta quarta-feira, no teatro Margarida Schivazappa. “Gosto deste teatro que nos aproxima do público e divido a cena com meus amigos Daniel Amorim (guitarra), Mário Mousinho (violão), Heraldo Santos e Rafael Barros (percussão), além da participação especial dos divos Simone Almeida e Pedrinho Cavalero”, comemora Nazaré.
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(Diário do Pará)
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