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Workshop traz lente analógica, sentimento latente

A relação de amor que tantos jovens têm adquirido pela fotografia feita com máquinas analógicas é algo que a tecnologia atual não tem conseguido superar. Pelo contrário: há cada vez mais adeptos dos rolinhos de filme e de horas em busca pelo clique perfei

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A relação de amor que tantos jovens têm adquirido pela fotografia feita com máquinas analógicas é algo que a tecnologia atual não tem conseguido superar. Pelo contrário: há cada vez mais adeptos dos rolinhos de filme e de horas em busca pelo clique perfeito. Para essas pessoas, as máquinas já se tornaram companhia certa e itens de colecionador.

Para dar uma força a quem deseja entrar nesse universo, a Galeria Gotazkaen está realizando a partir de hoje o workshop “Portraits Analógicos”, ministrado pela fotógrafa Diana Figueroa, amante declarada da fotografia à moda antiga e a primeira a defender esse tipo de arte. “Com a digital consigo fazer 500 fotos no cartão de 8G; no filme tenho 36 poses. Ser limitado é o que te faz valorizar cada frame”, define Diana.

A fotógrafa também é sócia da Galeria Gotazkaen, onde é possível comprar máquinas analógicas de diversos modelos e marcas. Ela conta que, desde quando o espaço passou a funcionar, em 2011, sempre teve que renovar o estoque, tamanha a procura de pessoas interessadas em adquirir um novo “brinquedinho” ou de aprender a mexer neles.

“Essa procura é feita tanto por quem já era acostumado a utilizar câmeras analógicas, quanto por quem só lembra de como era a câmera dos pais. Além disso, muitas pessoas se interessam após encontrar a máquina que um dia foi do pai, do tio, e querem aprender a usá-las”, conta Diana.

A fotógrafa Melissa Rodrigues, 23 anos, é uma dessas que está sempre disposta a investir em uma nova câmera. Ela própria tem duas Lomos (modelos Diana e Fish), Minolta, Canon, Nikon e Olympus Pen. “As mais antigas sempre têm probleminhas, seja um vazamento ou outro detalhe que dá um efeito diferente. Cada uma te dá uma experiência única. A Fish, com formato ‘olho de peixe’, deixa a imagem boleada; a Diana é boa para múltiplas exposições. Quem gosta de fotografia de verdade, gosta de experimentar e fazer coisas diferentes. É um hobby colecionar tantas delas”, afirma Melissa.

A própria Galeria Gotazkaen, baseada nesses quase três anos de vendas de câmeras analógicas e workshops, já vê um resultado muito bom nesse interesse dos jovens. “Essa é uma onda que está voltando e se estabilizou. Muita gente que passou pela galeria, por exemplo, continua fotografando e até criamos uma hashtag - #gotaz35mm - para que eles publiquem suas produções no Instagram. Estamos recebendo muitas fotos bonitas!”, comemora.

Um desses antigos alunos de Diana, o diretor de arte Felipe Wanzeler, 22, também virou um colecionador. “Entrei para uma oficina de Lomo que a Diana ministrou, mesmo sem ter nenhuma modelo da marca, e saiu um trabalho tão bonito que comprei logo três câmeras”, conta ele, que ressalta a importância da prática constante. “A princípio tudo parece mais complicado... Na analógica, você não precisa só apertar um botão, mas ajustar tudo antes. Cada foto representa um sentimento muito diferente, não consigo pegar um filme e fazer 36 fotos num dia, quero que cada registro seja único. E conforme fui ficando melhor em cada detalhe, fui também adquirindo câmeras mais complexas”, diz Felipe, provando que optar pelo método analógico é algo mesmo sentimental.

(Diário do Pará)

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