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Espetáculo de dança homenageia Roberto Carlos

Um beijo ininterrupto coreografado por minutos a fio tira o fôlego de quem está na plateia. Como trilha sonora, os poemas cantados do Rei Roberto Carlos. A cena se completa com tons de azul, cor preferida do artista que marcou gerações com sua música i

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Um beijo ininterrupto coreografado por minutos a fio tira o fôlego de quem está na plateia. Como trilha sonora, os poemas cantados do Rei Roberto Carlos. A cena se completa com tons de azul, cor preferida do artista que marcou gerações com sua música imersa na emoção. Esse é apenas um dos vários pontos altos que o espetáculo de dança “As Canções Que Você Dançou Pra Mim”, da companhia carioca Focus, traz a Belém em curta temporada no Teatro Gasômetro, de sexta a domingo. No sábado, 16, das 14h às 17h, será realizada também uma oficina gratuita de dança contemporânea direcionada para bailarinos profissionais.

Com a sensação de dever cumprido, depois de três noites de apresentação em Aracaju, a companhia chega pela primeira vez à capital paraense para encerrar uma turnê que iniciou em maio. O espetáculo se desenrola a partir de um pout-pourri contínuo com 72 composições representativas do “Rei”, como “Detalhes”, “Emoções”, “Proposta”, “Seu Corpo” e “Outra Vez”. Há espaço também para as canções mais animadas como “É Proibido Fumar”, “Negro Gato”, “Eu Te Darei o Céu” e “Cama e Mesa”. Todas as músicas estão na voz do cantor em versões originais das décadas de 1960 a 1980.

“Nenhuma música está inteira. Temos fragmentos de rock, boleros rasgados, músicas de diferentes épocas do Roberto, o público não sabe que música virá na sequência, é muito misturado do início ao fim. A música vai dando sugestão de cenas distintas e isso vai criando o espetáculo. Os movimentos são costurados em cima disso com variações e momentos solos, em grupo e em dupla. Traduzimos as músicas em dança. A costura musical com as coreografias foi se dando baseada nas relações amorosas”, explica o coreógrafo e diretor da companhia, Alex Neoral, que também faz parte do elenco, composto, ainda, por Carol Pires, Clarice Silva, Cosme Gregory, Felipe Padilha, Gabriela Leite, Marcio Jahú e Monica Burity.

O espetáculo já esteve em temporada em Portugal, Nova York e Washington, nos Estados Unidos. Sempre aclamado pelo público, foi eleito como uma das melhores montagens em dança pelo jornal “O Globo”, em 2011, e “Folha de São Paulo”, em 2012. “Esse espetáculo foi concebido sem a pretensão de ser um produto para circular. Porém, o sucesso dele é tão grande que já ultrapassamos a marca expressiva de 180 apresentações desde a estreia. Já temos uma vivência e um conforto dentro do espetáculo muito bacana. Belém vai nos receber tranquilos e seguros”, comemora o coreógrafo, lembrando que a ideia de usar a obra de Roberto Carlos começou a partir de uma brincadeira que o elenco fazia em viagens, entre uma apresentação e outra de outras montagens.

“Alguém cantava músicas e, quando outra pessoa percebesse alguma palavra em comum com outra canção, interrompia propondo a nova música. Assim uma música engatava na outra como se fosse um jogo de perguntas e respostas, formando uma grande história”, destaca Alex. Dessa forma surgiu o pout-pourri que costura o espetáculo.

Ler as palavras a partir dos movimentos desperta no público um turbilhão de emoções. Além do combo música e dança, bem embalados pelas letras de Roberto, o furor do espetáculo fica realmente por conta do que ele provoca em quem assiste. “A gente aumenta a intimidade com o público, colocamos eles dentro do espetáculo. É uma forma de celebrar o amor que Roberto cantou a vida inteira, o amor não correspondido, o amor verdadeiro, o amor de mãe e filho, o amor de amigo... O amor é um termo que nunca vai ficar velho, atemporal e que nunca sai de moda”, diz Alex.

“Nosso mérito é reunir o maior número de pessoas diferentes e dialogar com cada um. Você vê no olhar da pessoa que ela está envolvida. Muitos se emocionam e começam a gostar do Roberto a partir do espetáculo. Pegamos carona no trocadilho ‘são tantas emoções’ para o espetáculo inteiro. Ele traça o momento de vida de cada um, é o fundo da história de cada um, com uma sutileza e delicadeza feliz”, pontua o diretor, que optou por figurinos em tons de azul em homenagem à cor predileta do Rei.

(Diário do Pará)

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