Um resgate do cenário da dança na capital paraense é o que permeia o livro “Classicistas e Transgressores – A História da Dança em Belém do Pará”, da professora de dança e bailarina Giselle Moreira, que será lançado hoje, às 19h, na varanda do Instituto de Artes do Pará (IAP). A publicação conta quatro décadas de história da dança na cidade.
Professora da Universidade do Estado do Pará (Uepa) e do Instituto Federal de Educação e Tecnologia do Pará (IFPA), Giselle revela que o livro nasceu com a ideia de manter viva a memória da dança local em qualquer tempo. “Os jovens que dançam hoje não sabem quem foram os professores que abriram caminhos para aquilo que eles estão fazendo hoje”, destaca Giselle.
A publicação é resultado de sua pesquisa de doutorado em Artes Cênicas, realizado na Universidade Federal da Bahia (UFBA) e faz parte de uma trilogia. “Já publiquei um anterior a este, ‘O Episódio Pavlova’, que conta a historia de nossa dança no período de 1918 a 1950. Neste segundo livro abordo o período de 1950 a 1990. O próximo trará acontecimentos e personagens de 1990 aos dias atuais”, explica a professora, que investiga os acontecimentos da dança em Belém há quase 20 anos.
Para nortear a pesquisa, Giselle destaca no livro professores importantes para a história da dança na capital. No “Movimento dos Classicistas”, estão Augusto Rodrigues, Clara Pinto, Vera Torres e Rosário Martins. E no “Movimento dos Transgressores”, Teka Sallé, Marilene Melo, Eni Corrêa e Marbo Giannanccini. Como critério de seleção, ela restringiu a pesquisa a profissionais que atuaram ininterruptamente em suas escolas por um período de, no mínimo, dez anos.
“Alguns professores poderão questionar ‘porque eu não estou neste livro?’. Na época em que eu comecei a escrever sobre estes dois movimentos, Belém vivia o que eu chamo de ‘movimento quantitativo’. Muitas escolas de dança, muitos festivais e muitos professores. Então criei este critério de seleção, pois muitas escolas abriam e fechavam. E assim, estes foram os professores que, com suas escolas, passaram pelo crivo”, esclarece a pesquisadora.
Ao longo dos anos relatados no livro, são contadas histórias dos chamados “sujeitos coadjuvantes”, personagens oriundos de outros estados e países que, ao residirem em Belém por alguns anos, contribuíram para a formação da dança, de espetáculos e de nossa história. Giselle ainda aborda no livro a história das três tentativas de criação da Escola de Bailados do Theatro da Paz, que ocorreram nas décadas 1950, 1960 e 1980. E também apresenta a história dos teatros da Paz, Waldemar Henrique, Margarida Schivasappa, Gabriel Hermes e a relação de cada um deles com a dança. Um dos capítulos do livro também percorre os jornais locais apontando como a dança foi noticiada nessas quatro décadas, em jornais como a “Folha do Norte”, “Jornal do Dia”, “A Vanguarda”, “A Província do Pará” e “DIÁRIO DO PARÁ”.
(Diário do Pará)
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