A banda Cais Virado foi a grande vitoriosa do CCAA Fest, realizado no último dia 9. Dentre as 15 concorrentes, de alguma forma cativou o público e o júri mais do que os outros, com a música “Amor em Tempos de Agora”, uma referência ao romance “Amor Nos Tempos do Cólera”, de Gabriel García Márquez. No tema, a banalização do amor.
Com dois anos de estrada e muitos sonhos, a banda acreditou que o evento seria uma oportunidade importante de conquistar fãs e embarcar na gravação de um CD, o grande prêmio. “Nós nos entendemos como uma banda iniciante, que está buscando apresentar o trabalho e criar público. Não é matemática cartesiana, e já havíamos participado de outros festivais em que não fomos selecionados. Estávamos, de certa forma, ‘calejados’, e a sensação de ouvir o nome da banda como primeira colocada foi realmente inesperada, mas é redundante dizer que foi um momento de muita alegria”, diz, entusiasmado, o baterista e compositor Raniery Pontes.
A disputa foi acirrada e eclética. “Havia bandas clássicas de rock, carimbó-rock, brega-rock, metal, hip-hop, eletro-rock, entre outros. Músicos muito técnicos, grupos visualmente muito bem produzidos, vocalistas de grande performance de palco. Todos deram o seu melhor”, conta.
O Cais Virado nasceu de um reencontro de amigos que já tiveram experiências em outros projetos autorais. “Nascemos do encontro que tive com o guitarrista Bruno Rabelo. Tocamos juntos nos anos 1990 na banda experimental Mohamed, e daí surgiu uma amizade musical duradoura. Participamos também da banda Maquine, que teve uma breve, mas produtiva contribuição entre os anos de 2010 e 2011. Com o fim do grupo, mantivemos o fluxo criativo e convidamos Keila Monteiro, do Coisa de Ninguém, para assumir os vocais de um novo projeto”, explica o baterista, destacando que Príamo Brandão, outro nome com longa carreira no cenário musical, reforça o time no contrabaixo.
Com duas canções já lançadas oficialmente na internet, “Sobrenome” e “Com Lírios nos Olhos”, a banda estava se preparando, mas ainda em etapa inicial, para a gravação de um EP. Agora com a premiação do festival, a gravação vai acelerar os planos. “A produção de um CD é bem mais complexa e trabalhosa do que pode parecer. Não é só chegar e apertar o ‘REC’. E, de nossa parte, vamos buscar um registro de qualidade das músicas. É como fazer a foto mais linda que poderemos tirar dos nossas canções”.
(Diário do Pará)
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