A noite de hoje da 9ª edição de Festival Se Rasgum será a primeira das duas que acontecerão no Hangar. Entre as atrações, a banda mato-grossense Vanguart fecha a noitada, tendo ao lado gente como o paraense Félix Robatto e sua guitarrada incendiária, o capixaba Silva e os cariocas do Acabou la Tequila e do Gangrena Gasosa. Também do Rio de Janeiro vem a penúltima apresentação. No palco dois, que fica no deck do centro de convenções, estará um dos principais criadores do estilo black no Brasil e, junto dele, a nova geração. Gerson King Combo e a banda Supergroove vêm juntando forças e fazem hoje sua primeira apresentação no Norte do país.
Nascido no subúrbio da capital carioca, em Madureira, Gerson Cortes começou a carreira no rádio e dançando em programas de TV. Aos poucos, enveredou pela soul music, cantando nas bandas de Wilson Simonal e Erlon Chaves, além de ter ajudado a fundar a Banda Black Rio. Já como Gerson King Combo, experimentou o auge da popularidade nos anos 1970. Nos anos 2000, voltou a ser reconhecido como um dos principais nomes da música negra brasileira, e é considerado o grande precursor do rap nacional. Aos 70 anos de idade, ele promete incendiar a noite de Belém.
“Esse show em Belém será um sucesso total. Os novos estão descobrindo meu trabalho e agora o Norte também. Vou tacar fogo no Se Rasgum! Gerson King Combo estará presente e, junto com Supergroove, não vai deixar ninguém sem dançar”, afirma o rei do soul brasileiro, que aposta numa recepção de primeira em seu show. Pelo menos é a expectativa que criou a partir de informações que teve sobre o público paraense. “Já estive em vários festivais independentes, mas nunca fui para um festival que tenha vários ritmos. Um festival de música, mesmo, então não posso deixar por menos. Tenho uma estrada longa, tenho que apresentar um grande show. Estive no Rock in Rio em 2005 e não sei se gostaram muito. Há uma discriminação com a música negra, mas acho que aí serei muito bem aceito. Pelo que sei, são pessoas abertas a novos ritmos”, projeta.
Curiosa é a relação do soul com o atual ritmo mais difundido na Cidade Maravilhosa. “O funk carioca nada mais é que um segmento da nossa soul music”, garante King, que faz uma distinção bem clara entre as duas vertentes. “Tudo veio da música negra americana. A diferença é que a nossa proposta é dançar, namorar. Já no funk, quem não tem bunda não dança. É feito para bundudo. Quem tem bundinha pequena e dança funk fica meio esquisito. Já o soul requer um apuro maior, quem dança o soul é mais artista, é algo mais elaborado”, ensina o rei.
Ao lado de Gerson Combo estará uma das mais promissoras bandas de black music brasileira. A Supergroove já lançou dois CDs independentes, participando de importantes projetos e festivais por todo o país. É formada por Heitor Nascimento (guitarra), Eddy Pinheiro (baixo), Vidaut (bateria), Marfiza (backing vocal), Francisco Sartori (teclados), Monica Ávila (sax) e Ronaldo Groove (direção musical).
(Diário do Pará)
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