Partindo do pressuposto de que a escuridão é necessária para completar a experiência da luz, os fotógrafos-educadores Miguel Chikaoka e Valério Silveira convidam os amantes da fotografia a ficar no escuro. Hoje, a dupla começa a oficina de iniciação à fotografia da Associação Fotoativa “De Olhos Vendados”, que acontecerá até o dia 22 de outubro, às segundas e quartas, de 19h30 às 21h30. Os encontros desafiarão os participantes à prática do fazer fotográfico baseada nos sentidos da luz, passando pela formação técnica do processo fotográfico, do artesanal ao analógico, até chegar ao digital.
“As atividades serão pautadas essencialmente em práticas, com provocações e discussões direcionadas à construção de um conhecimento crítico sobre a evolução da fotografia e sua forma no mundo atual. A luz é a matriz do processo, afinal a fotografia se materializa com a existência da luz. Não custa lembrar que a imagem é algo que se constitui com a organização dos raios luminosos, mais precisamente das ondas luminosas que se propagam no espaço. É importante dizer que, nesta oficina, consideramos a luz além da matéria, com abordagens que entram na esfera do simbólico, das representações”, explica Miguel Chikaoka, presidente da Associação Fotoativa.
Segundo ele, qualquer pessoa a partir dos 12 anos de idade pode participar da oficina. O único requisito é que tenha uma câmera fotográfica. “Podem participar iniciantes e iniciados, fotógrafos, estudantes, educadores, artistas, profissionais liberais. O importante é ter interesse em exercitar o pensamento sobre o que pode vir a ser o fazer fotográfico para cada um”, completa Miguel.
A oficina apresentará em seu cronograma exercícios que combinam fazeres lúdicos com o estudo de dispositivos que permitem perceber e operar com os fenômenos luminosos. “A expectativa é das melhores, pois, como o perfil das pessoas que participam dessas oficinas é diversificado, a resposta aos estímulos torna-se muito dinâmica e garante trocas muito ricas e o ganho é de todos”, afirma Chikaoka.
Ao lado dele, ministrando a oficina, estará Valério Silveira, artista visual e fotógrafo, mestre em educação no Instituto de Ciência de Educação da Universidade Federal do Pará, com pesquisa na área da fotografia e da infância em Belém.
O título da oficina causa impacto, e Miguel diz que essa era a intenção. Soar como uma provocação que estimulasse a reflexão.
“Ninguém, sobretudo no meio urbano, duvida que vivemos numa era em que a experiência com as imagens é tão intensa que acaba ‘cegando’ nosso ser sensível. Vendar os olhos pode ser um ótimo exercício para exercitar o deslocamento dos sentidos para ativar zonas adormecidas do nosso ser. Além disso, como tudo na vida, é necessário confrontar para chegar ao equilíbrio e alcançar a harmonia. Se queremos uma experiência plena com o que se oferece com a luz, é justo que experimentar o oposto, a sua ausência”, pondera Chikaoka.
(Diário do Pará)
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