A ópera “Otello”, de Giuseppe Verdi teve casa cheia na montagem em Belém. No elenco, o tenor Walter Fraccaro como Otello; o barítono Rodrigo Esteves como Iago; a soprano Gabriella Rossi como Desdêmona; o baixo Sávio Sperandio como Lodovico; e o tenor Antônio Wilson Azevedo como Cássio. E entre nomes tão prestigiados, encontramos a mezzo soprano Ana Victoria Pitts, paraense de apenas 23 anos de idade, intérprete de Emília, esposa de Iago.
Ao Você, Victória Pitts fala de sua participação em “Otello”, da importância de sua primeira inspiração musical - sua mãe -, e conta como é ser uma cantora lírica jovem, aprendendo entre os grandes, na Itália, onde vive atualmente.
Quem foi a sua primeira influência, quem te levou a cantar?
Na verdade, minha mãe. Ela sempre cantou em casa, tinha uma voz bonita. Minha avó também fazia isso. Ela cantava na igreja e foi ali que eu comecei a cantar, na Paróquia de São João Batista e Nossa Senhora das Graças, que fica perto de casa (em Icoaraci).
Você já começou estudando canto?
Com 13 anos comecei a estudar flauta e violão, em um polo do Conservatório Carlos Gomes em Icoaraci. Lá, aprendi a ler partitura e depois parti para o canto. Foi a minha professora Márcia Aliverti quem disse que eu deveria sair de Belém à procura de oportunidades. Ela chegou a ir comigo para Curitiba, em 2010.
Você imaginou nesse período que chegaria a cantar em óperas?
Sempre! É uma paixão, e é engraçado, pois meus pais não imaginavam isso. Eles contam que uma vez, quando eu ainda era bebê de colo, me deixaram na casa de amigos. Eu chorava sem fim e só parei com um disco de música clássica tocando. Até hoje eles brincam que foram eles que me descobriram.
E como ocorreu sua ida para a Itália?
Em Curitiba, soube por um amigo da faculdade que em Ponta Grossa tinha um master class com a professora italiana Luisa Gianinni. Aprendi muito durante esse período, então a professora Luisa perguntou se eu gostaria de ir para a Itália. Fiquei muito feliz, ganhei bolsa para estudar, me mudei no final de 2011 e concluí em junho de 2014 minha graduação. Em novembro, retorno para o mestrado.
Em 2012 você participou do Concurso Internacional de Música Sacra em Roma e foi escolhida “Cantora Jovem Revelação”. Como foi esse momento?
Foi muito especial! Primeiro porque eu tinha acabado de chegar à Itália, e depois porque música sacra sempre foi importante para mim. Foi emocionante concorrer e estar em meio aos mais de 200 cantores que vieram do mundo todo. Foi muito gratificante.
Fale um pouco de seu personagem em “Otello”.
Emília é mulher do Iago, que atua como o vilão da história tentando destruir a vida de Otello instigando o ciúme. Ela é uma mulher forte e submissa ao mesmo tempo. Mesmo forte, ela vê tudo e não pode falar. Ela não canta muito, mas tem uma presença cênica quase permanente. Tem afeto por Desdêmona e enfrenta até mesmo Otello por causa dela. Era um desafio cênico interpretá-la, estou crescendo muito com esse personagem.
É a primeira vez que você participa do festival?
Sim, e participei com muita felicidade. O elenco é maravilhoso, de carreira consolidada, me trataram como mascote do grupo (risos). Respeito muito a todos. O cantor que faz Otello, olhe só, conheci aqui no festival, mas descobri que ele mora a menos de uma hora da minha casa na Itália.
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(Diário do Pará)
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